sábado, 13 de fevereiro de 2010

Lucy, de novo...


Certas pessoas têm o dom de se tornarem conhecidas sem levantar um dedo. Lucy é uma delas. Estou lendo Rimbaud na África e de repente quem aparece livre e solta? Lucy. Alguns vão dizer: ela bebeu. Afinal é carnaval, não importa! Mas, eu juro de pés juntos que me deparei com ela. Duvidam? Como alguns não acreditaram no vinho croata? Vou provar em ambos os casos. O autor do livro está contando sobre a viagem da caravana do Rimbaud à Afar, literalmente, o fim do mundo. Sua descrição é dramática. Fala de um lago Assal, cujas margens de coral são fossilizadas. Para ele é uma paisagem lunar com dunas negras e penhascos ardentes. O vento que sopra em seu rosto parece o ar de um secador de cabelos! Não estou inventando nada, foram palavras do moço... e nem era o Rimbaud, que afinal tem um passado condenável!!!!!!!!!!!!!!! É aquela história: não me lembro direito se para ser vidente ou ser moderno era necessário um total desregramento de todos os sentidos. Sei, e depois vocês ficam dizendo que bebi. Rimbaud fez o que? Pensando bem fumou, porque todos os desenhos da sua época em Paris traziam sempre um cachimbo. Mas, Magritte disse que isso não era um cachimbo. Credo pirei... chega de intelectuais. Todos malucos.
Eu falei em fim de mundo, ele afirma que é o começo dele, pois lá viveram homens que antecederam o homo erectus. Quando o esqueleto foi encontrado os arqueólogos estavam ouvindo músicas dos Beatles. Ano: 1974. Qual foi o nome dado ao australopithecus afarensis? Acertaram. Foi Lucy, por causa de Lucy in the sky with diamonds. Essa nova…acho que antiga mulher, pois viveu há cerca de 3.200 anos atrás, também ficou famosa. Dizem que o cérebro pesava 450 cm cúbicos, pouco maior do que o cérebro de um chimpanzé, mas caminhava ereta e tinha mais ou menos 1,50 cm de altura. Vou examinar meu cérebro, pois a altura corresponde. Quer dizer sou cinco cm. mais alta, provavelmente, meu cérebro deve pesar umas gramas mais!!! Ou não??? Os etíopes a chamam de Dinkenesh, que significa maravilhosa. Afirmam que foi o primeiro ancestral do homem. Mas, não é incrível que sem saber essa tal de Lucy tornou-se uma celebridade em pleno século XX? Será loura? Quanto pesa? Qual sua altura? Casada ou solteira? Eu não sei nada sobre ela e vocês?
Acho que conheço a austrolopithecus afarensis bem melhor do que a verdadeira Lucy, a Lucy do Lennon. Mas, vou descobrir tudo sobre ela e depois conto para vocês.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

VIAJANDO PELA INDIA 4 - AS RELIGIÕES 1

81% dos indianos são hinduístas, 12% muçulmanos, 2% cristãos, 2% sikhs, 4% membros das outras centenas de seitas, práticas religiosas ou sub ramos do hinduísmo (Rosa Bertoldi mencionou sua incompetência para escrever, após a reforma ortográfica eu só digo IDEM! não sei escrever sub ramos...).

O aparentemente enorme respeito entre as pessoas religiosas me surpreendeu. Uso a expressão aparentemente porque os olhos de um turista não veem “a verdade” apenas a “verdade aparente” do país visitado. Portanto darei minha versão particular, se estiver enganada corrijam-me, por favor.

Pois bem, embora eu tenha sido recebida por uma família sikh, na véspera do Natal eles montaram uma árvore com luzinhas e tudo, prepararam uma ceia do jeito que a gente faz e fizeram votos à meia noite. No dia 25 manifestei desejo de ir à missa. Imediatamente colocaram-se à disposição para me levar. Após telefonemas para cá e para lá, pois que não tinham a mínima noção de onde havia uma igreja católica nem como conseguir o horário da cerimônia, enfim fui conduzida, com toda honra, ao meu “templo”, assim se referiam à paróquia São Francisco Xavier onde fomos.

Infelizmente as informações estavam erradas e chegamos lá após o término da única celebração do dia. Mesmo assim entrei para fazer orações.Ainda havia um número razoável de pessoas por ali. Vendo-me, indisfarçavelmente ocidental, começaram a me rodear, dizendo com todo o carinho “Merry Christmas! Happy New Year!”. Muitos beijaram minha mão, pediram para tirar fotos comigo, e olhem que não sou uma top model, apenas uma avó (bem apanhada como diriam os antigos, mas uma avó)... Faziam isso simplesmente pela alegria de ver um estrangeiro ali ou pela fraternidade que une as minorias ou os que têm a mesma fé. Uma senhora aparentemente (again!...) bem idosa me abençoou e fez o sinal da cruz em minha testa.
Usavam roupas bem coloridas, novas, como manda a antiga tradição do Natal mas muito, muito simples.

Gente, não há coração que resista... olhos cheios de lágrimas saí da igreja em paz com o mundo. Foi um belíssimo Natal.

JAINISMO
Fundado na Índia no século VI a.C. é uma religião que não reconhece a autoridade dos brâmanes nem dos textos Vedas. Nos dias de hoje, está presente nas regiões oriental, central e meridional. Tem por volta de 4 milhões de seguidores. Em número de fiéis, é a sétima das religiões da Índia, ou seja, 0,4% da população indiana é jainista.
Acreditam em 4 grandes princípios: não-violência, evitar a mentira, não se apropriar do que não foi dado e não se apegar às posses materiais, para os guias ou jinas (sacerdotes ou orientadores dos fiéis), há ainda o princípio da castidade.

O Jina repudiou os interesses mundanos para alcançar um grau supremo de conhecimento. Ensinam seus seguidores a libertarem-se do ciclo da reencarnação ao atingir as três jóias: Conhecimento Justo, Fé Correta e Boa Conduta, o que implica em abandonar a violência, a cobiça, o artifício, manter-se castos e obedecer aos doze votos, divididos em três classes:
1) ANUVRATAS - abster-se de atos violentos, não mentir, não roubar, não cobiçar o parceiro de outra pessoa e limitar as possessões pessoais;
2) GUNAVRATAS - restringir as atividades pessoais a uma área concreta, restringir práticas que proporcionam prazer e evitar atos que causam sofrimento 3) SIKSAVRATAS - votos de disciplina espiritual: meditar, limitar determinadas atividades a certos momentos, adotar a vida de um monge por um dia, fazer donativos aos monges ou aos pobres.
Além dos doze votos, seguem ainda algumas regras de comportamento, tais como: Não comer durante a noite, não comer carne, não beber vinho e não comer certos vegetais nos quais se acredita que vivam determinados seres.
KARMAÀ semelhança do hinduísmo e do budismo, o jainismo partilha da crença no karma, embora de uma forma diferente. O karma no jainismo não é apenas um processo em que determinadas ações produzem reações, mas também uma substância física que se agrega a uma alma. As partículas de karma existem no universo e associam-se a uma alma devido às ações dessa alma (por exemplo, quando uma alma mente, rouba ou mata esta provoca a agregação de karma na sua alma). A quantidade e qualidade destas partículas determinam a existência que a alma terá, a sua felicidade ou infelicidade. Só é possível a uma alma alcançar a libertação quando desta se retirarem todas as partículas de karma. O processo que permite a libertação das partículas de karma de uma alma denomina-se "Nirjara" e inclui práticas como o jejum, o retiro para locais isolados, a mortificação do corpo e a meditação.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

E o domingo foi de chandon e samba. Samba e chandon. E quem achar que samba não combina com chandon está enganado. E lá fui eu e o Ju seguindo os blocos na Vila Madalena e acabamos até seguindo a Pérola Negra... domingo de samba e chandon.


sábado, 6 de fevereiro de 2010

Como Lucy tornou-se famosa sem saber

Se fosse Umberto Eco a escrever, o texto começaria assim: era o ano da graça de 1967. Como sou eu, vou direto ao assunto. Era o ano de 1967 e Lucy freqüentava a Heath House, uma escolinha perto de sua casa. Tinha como vizinho e colega Julien. Diziam as diretoras do local que ambos foram duas pestes.
Um dia o menino mostrou um desenho para o pai dizendo: olha a Lucy no céu com diamantes. Lucy in the sky with diamonds foi inspirada na pintura de Julien. O pai? Lennon. A Lucy, de verdade, só ficou sabendo que era famosa e fora imortalizada através da composição, aos 13 anos, ao descobrir que o tal colega era filho de um dos Beatles. Simples assim, embora na época, a maioria, dos jornalistas e críticos, tenha noticiado que o título se referia à droga LSD. De acordo com Lennon, a canção tinha sido inspirada na frase e desenho do filho e no Alice, de Lewis Carrol. “Surrealismo para mim é realidade” declarou na época. Para mim também, John!
Duas coisas me fizeram lembrar dessa história. Adulta, Lucy passou a trabalhar junto a crianças com necessidades especiais. Em seguida eu li que estava cega. Julien também soube da doença e se prontificou a pagar pela cirurgia. A moça, pelo que sei ficou recuperada. E Julien provavelmente feliz por poder fazer algo por ela.
O outro fato é mais recente. Ganhei um livro The Beatles – A história por trás de todas as canções e de repente me deparei com a conhecida história sobre como Lennon compôs a música, algo que contei em algum outro lugar, acho que em artigo para o jornal. Lembrei: está no livro Com Textos, uma seleção de artigos escritos para Ju Machado – escritório de arte, e publicados inicialmente no Jornal da Cidade. Pronto, feito o comercial, vamos continuar.
O autor explica o que os compositores das canções queriam dizer, de verdade. É bem engraçado, pois tem coisas que a gente realmente imaginava mirabolantes e acabam sendo simples. Penso que um livro definitivo será escrito quando pesquisadores e autores tiverem em mãos os arquivos de Lennon, George, Paul ou Ringo... Mas, por hora a explicação para grande parte das letras convence. E como tive filhos pequenos um dia – hoje eles estão crescidinhos – nunca duvidei da história de John, porque pai e mãe são bobos e iguais, só mudam de endereço!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Semana de Beyonce no Brasil...



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Semana de estréia da temporada final de LOST...



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

VIAJANDO PELA INDIA (3)

Essas maravilhas da humanidade ficam no estado de Maharashtra (Índia), mais ou menos perto de Pune, a cidade onde fiquei primeiro.

Cabe aqui um esclarecimento sobre “mais ou menos perto”. É que para nós, com o nível de estradas e o tipo de trânsito que temos em SP, 140 km é pouco e pensa-se em termos de uma hora e meia de viagem no máximo. Lá na Índia gasta-se uma hora e meia para percorrer 40 km. Os 160 km que separam esses dois pontos exigiram quase seis horas de viagem.
Ajanta e Ellora são dois conjuntos de cavernas escavadas em montanhas de basalto. A maior cidade próxima é Aurangabad que deve seu nome ao último dos grandes imperadores Mughais, Aurangzeb.


Ajanta tem pinturas rupestres de inspiração
budista que remontam ao século II a.C. As grutas são um testemunho sem interrupção da história religiosa do budismo, durante um período de 700 anos. O Budismo, filosofia de vida baseada integralmente nos profundos ensinamentos do Buda para todos os seres, revela a verdadeira face da vida e do universo.
No
século XVII começou a desaparecer, e lentamente Ajanta foi esquecida. As grutas foram redescobertas por um oficial da Companhia das Índias Orientais (uma organização formada por mercadores londrinos e durante dois séculos e meio transformou os privilégios comerciais na Ásia em um império centrado na Índia) em 1819, depois de vários séculos. Intrigado pelo visual de uma formação fora do comum, o seu grupo aventurou-se a ir mais baixo para descobrir Ajanta. Desde então tem havido muitos esforços de restauração para conservar as grutas especialmente as pinturas.
Através de Ajanta nós podemos aprender sobre as várias facetas da vida antiga na
Índia – desde os trajes do povo, o trabalho artístico dos artesãos e as crenças religiosas daquela época até à posição política e econômica dos governantes.
Hoje, as grutas de Ajanta são um dos principais destinos turísticos da
Índia e foram declaradas Património Mundial da Unesco em 1983.
Ellora, chamada localmente de Verul, tem 34 cavernas artificiais escavadas ao longo de 2 km nas montanhas Charanandri para criação de templos e mosteiros Budistas, Hinduístas e Jainistas.
O grupo de templos foi declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1983, e representa a epítome deste estilo de arquitetura na Índia. A construção ocorreu entre os séculos V e XIII, e compreende 12 grutas Budistas, 17 Hinduístas e 5 Jainistas. Mas o templo mais impressionante e famoso de Ellora é o Kailasanatha Temple.

Todos os templos dedicados ao deus Shiva foram cavados de cima para baixo e de lá foram retirados mais ou menos 85 mil metros cúbicos de rocha. Fico imaginando o seguinte: uma pessoa em pé em cima de uma montanha de pedra, olha para baixo e diz "Hmmm... ótimo lugar para construir um templo de 81 metros de altura... legal!", daí essa mesma pessoa pega uns amigos que começam com algumas rudimentares ferramentas a cavar o chão de pedra. Não dá para saber como a coisa toda aconteceu mas o resultado foi maravilhoso!

O Budismo, filosofia de vida baseada integralmente nos profundos ensinamentos do Buda para todos os seres, revela a verdadeira face da vida e do universo. Lentamente Ajanta foi esquecida. As grutas foram redescobertas por um oficial da Companhia das Índias Orientais (uma organização formada por mercadores londrinos que durante dois séculos e meio transformou os privilégios comerciais na Ásia em um império centrado na Índia) em 1819, depois de vários séculos. Intrigado pelo visual de uma formação fora do comum, o seu grupo aventurou-se a ir mais baixo para descobrir Ajanta. Desde então tem havido muitos esforços de restauração para conservar as grutas especialmente as pinturas.

Hoje, as grutas de Ajanta são um dos principais destinos turísticos da Índia e foram declaradas Património Mundial da Unesco em 1983.

As grutas Budistas são as mais antigas, tendo sido escavadas entre os séculos V e VIII, quando a seita Mahayana floresceu na região. As Hinduístas foram criadas entre os séculos VII e X, e incluem o famoso templo Kailasa, cuja construção se deve possivelmente ao Rei Krishna I. Por fim, as Jainistas datam de entre os séculos X e XIII. Ao longo do tempo a região caiu em relativa obscuridade, embora haja relatos históricos de viajantes mencionando a magnificência do conjunto. A proximidade de tantos templos pertencentes a religiões diversas atesta a harmonia e tolerância religiosa que reinava na época de sua construção.

Atualmente o sítio é administrado e protegido pelo governo da Índia, que executa ações periódicas de preservação no patrimônio arquitetônico e artístico do sítio arqueológico, bem como subsidia diversos projetos de pesquisa em várias especialidades científicas de interesse para a sua conservação e programas de educação para estudantes.