segunda-feira, 11 de julho de 2011

Continuando...

Ao perceberem meu movimento muito elegantemente deram-me a frente para descer os poucos degraus do terraço e foram para a calçada que acompanhava a orla da praia.
Comecei a me sentir ridícula caminhando atrás deles sem nada ouvir. O vento vinha de nossas costas e carregava suas palavras, só podia perceber que conversavam animadamente. Resolvi acelerar e passar à frente. Ao avançar eles novamente me olharam e um deles galantemente dirigiu-me a palavra:
- Acompanhar - nos- ia, senhorita? Sem graça eu sorri dizendo que seria uma honra, eles rebateram dizendo que a honra seria deles e assim avançávamos os três, pela calçada deserta naquela época do ano. Pedi que conversassem. Gostaria de ouvi-los. Natural e complacentemente sorriram.
- Diga-nos a senhorita o que faz neste refúgio de idosos, pois que isto durante a temporada é lugar para jovens, agora exclusivamente para quem não gosta de movimento.
- Trabalhei muito no ano passado e acabei tendo uma exaustão. Médico e família exigiram que eu me refugiasse num lugar qualquer em que pudesse descansar, esquecer a agitação, ler e, enfim, conhecer pessoas agradáveis. Escolhi este.
- O Sol nesta temperatura é muito agradável e fará com que recupere sua energia.
Demos mais alguns passos em silêncio, então criei coragem para perguntar:
- E vocês? Desculpem-me tratá-los tão informalmente, mas são bastante jovens e somos companheiros em férias, não é mesmo?
Sorrindo o que usava bengala disse:
- Chame-me como quiser, o prazer de sua companhia é muito grande. Cheguei a pensar em partir, também sou urbano e apraz-me a agitação. Sua presença me alegra. Sou Baptista, com “p” no meio, muito prazer.
- E eu sou Azevedo. Adelmo Azevedo.
- Júlia. Eu também estava pensando em fugir daqui. Bom nos encontrarmos. Gosto muito de viajar mas para lugares agitados. Este deserto só mesmo como medicação.

domingo, 10 de julho de 2011


Acabei de ler Eugenia Grandet, do Balzac. O livro foi escrito em 1833. Leiga no autor, me surpreendeu a sensibilidade com que ele trata a alma feminina. Ele consegue captar necessidades, frustrações, entender reações e os sonhos das mulheres. Se pensarmos na época em que o livro foi escrito, tal sensibilidade espanta mais ainda.
Alguns artistas conseguem mesmo captar o ser mulher.
O italiano Amedeo Modigliani, o artista apaixonado pelos excessos, famoso na Escola de Paris e um dos principais pintores da primeira metade do século 20, fez retratos da amante Jeanne Hébuterne, que já’ `a época competiram com os retratos femininos feito pelo amigo, Pablo Picasso. O ultimo, feito quando a amante e musa já estava grávida, foi leiloado por 4.9 milhões de Euros. A empatia do observador com a mulher retratada ultrapassa a estilização que o artista adotara.
Jeanne, a amante, renunciara a família, aos amigos e a uma vida de abastada para ficar com o artista, que raramente voltava pra casa e quando voltava, era bêbado. Mas que nutria por ela um amor que parece infinito se olharmos para o quadro e lermos sua biografia. Ela se jogou da janela alguns dias depois da morte de Amadeu, em 1920, e morreu de amor.
Homens sensíveis?
Apesar de ter sido duramente criticado por dizer que só as mulheres normais gostam de apanhar, Nelson Rodrigues sabia profundamente dos sentimentos femininos, mesmo os mais vis. Em Bonitinha, mas ordinária, a personagem canalha se redime depois de ir ao fundo do poço. Ritinha, a prostituta, que sempre guardara a pureza de sua alma em meio às depravações do corpo, nunca gozara. O seu “machismo” pode ser explicado em outra máxima sua, a de que somos todos santos e canalhas, simultaneamente. Isso não diminui em nada os retratos literários que Nelson fez das mulheres que amavam, traiam e matavam em nome do amor. O dia a dia das donas de casa dos anos 50 e 60, que ao irem à feira se apaixonavam e freqüentavam os apartamentos dos amados e a noite estavam bonitas e cheirosas para os maridos.
Chico Buarque 'e outro artista que além das de Atenas, entende os sentimento das fêmeas que desejam ardentemente ser tatuagem no corpo dos homens. Quando ele canta a mulher, a voz fraca por fama, se emociona e parece ter dentro dele a mesma sensibilidade que outros artistas, por meio de outras artes tiveram.
Chico tem varias concepções de mulheres, de santas a putas, de Atenas ate Geni. Canta um amor dolorido que dizem só as mulheres sentem e clamam ser a boca de hortelã na manha do amado.
Por que estou citando esses artistas? Quero falar da mulher do século 21 e o que ela quer. A partir de Freud a mulher ganha também a possibilidade e o estatuto de ser histéricas. Histérica pelo que? O feminismo, que quis e quer acabar com o conceito vitoriano e burguês da mulher que e’ submissa e serve para parir, tão bem descrito por Simone de Beauvoir, na minha opinião, descaracterizou um pouco o sexo feminino. Não! Não somos iguais aos homens. Não somos piores, nem melhores. Somos diferentes geneticamente falando e nosso comportamento também ‘e diverso do masculino.
Queimaram sutiãs, lutaram pelo direito a pílulas e os mesmo níveis de poder. No inicio dos anos 90, a mulher começou ate a usar terno, para se igualar em ombro e altura ao homem.
Quer saber? Sou contra tudo isso. E Simone de Beauvoir devia ser também. Afinal submeteu-se aos caprichos de Sartre como uma boa apaixonada das letras de Chico. Nos, as mulheres, somos seres apaixonados, submissas sim, `as nossas próprias vontades que muitas vezes se encaixam com as vontades dos homens. Vejam bem, não são iguais as vontades dos homens, mas se encaixam.
Queremos ser tatuagem no corpo do homem que amamos. Quem nunca assinou o próprio nome com o sobrenome de um namorado ou um paquera? Quem nunca ficou grudada ao telefone esperando a ligação do dia seguinte? Que mulher nunca acreditou, logo depois da primeira noite, que seria para sempre?
Ate as vadias se entregam esperando serem salvas de tantos pintos que as rodeiam. Sim, as vadias também querem a salvação. Alguém que diga a elas que são especiais e únicas, apesar de serem de todos. Geni não deu para o rico do Zepelim apenas para salvar a cidade. Deu para se salvar também.
Queremos a salvação pelo amor. O delírio são, pela paixão. Queremos uma mao forte que nos pegue pelo cangote. Queremos a voz grossa que nos chame de amor ou de vagabunda, tudo na mesma noite.
Queremos ser semeadas pelo homem que amamos e ver a carinha de um ser que simboliza a junção de dois corpos. Queremos acordar cedo com beijos e flores, ceder às ereções matinais como servas de um amor que carregue durante o dia.
Sim, também queremos cargos de poder e independência econômica. Mas duvido das mulheres que dizem que não precisam de homem para viver. Duvido que elas não se encantem com o elogio diante de um novo lingerie ou de um bolo mal feito. Duvido! Duvido das mulheres que querem ser só’ santas ou só’ putas. A mulher ‘e versátil, ela pinta a unha de todas as cores para atrair o macho. Os decotes não são para o espelho, são para eles, buscam o olhar embasbacado de um homem apaixonado. Ou não?


PS. Me desculpem os erros de acentuacao e outros, meu taclado esta com problemas que ainda nao consegui resolver.

sábado, 9 de julho de 2011

VIVA O CALOR....

Forma de energia que se traduz em variação ambiental. Ah, aquele calorzinho gostoso do horário de verão, quando se pode sentar na calçada e tomar uma cerveja bem gelada ou lagartear na piscina... Saudade! Esse ano o inverno decidiu tomar conta do outono e descer a temperatura até quase zero grau. Credo, isso é um país incivilizado e tropical. Por favor, avisem o responsável por essas transformações fora de tempo: ele está adiantado demais! Estou brincando. As estações acontecem por causa da translação, a inclinação da terra em relação ao sol. E se o planeta azulzinho não mudasse de posição? Bem, de acordo com entendidos no assunto não haveria variação na umidade ou secura do ar. Seria sempre verão? Sei não. Poderia ser primavera, outono ou inverno não é? Lembro-me ainda das aulas de geografia quando a professora falava que conforme mudava o ângulo do plano orbital a terra passava ora pelo verão, ora pelo inverno. Como? Os raios solares tendem a atingir seu mínimo no começo do inverno, ao contrário do verão. Quando o Polo Norte se inclina em direção ao sol é verão no hemisfério norte, quando o Polo Sul faz o mesmo o calor chega abaixo da linha do equador. Esqueça essa chatice e pense que no verão os dias são mais longos - para serem curtidos a vontade - além de escurecer mais tarde, os termômetros quase explodem devido as altas temperaturas, daí o chopinho gelado, o vinho espumante e os sorvetes para refrescar. A impressão é que até a conversa fica mais solta. Oficialmente o verão tem seu inicio em 21 de dezembro com árvores verdes e frutas em abundância. Junta tudo: férias, calor, clima de alegria com as festas do final do ano e carnaval. A vida fica mais leve, embora a gente pareça mais pesada por conta da quantidade de água que se bebe e por causa do "samba, suor e cerveja," como diz meu poeta.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Casas, cores e desenhos

Juro que tentei localizar na internet alguma explicação para o uso de cores nas casas mexicanas. Não consegui. No meu guia (sim, minha gente, eu tenho um guia) o máximo de informação sobre arquitetura que tem foi é muito da arquitetura é de influência colonial espanhola e que tem a funcionalidade em vista. Somente. Então não vou contar fatos ou passar dados vou só dizer que parte da emoção de andar nas ruas, principalmente nas centrais tanto do México quando de Cuernavaca é ver casas pintadas de laranja com roxo, sacadas cheias de bordados, praças lindas com chafariz que fazem você realmente dormiu e acordou na cidade do Zorro.



Ps: Se alguma das Rosas souber e quiser fazer uma série sobre o assunto, será bem vinda.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Alebrijes

Há um ano quando perguntei ao Rogério o que eram alebrijes ele não sabia me dizer. Foi um casal de portuguêses quem me mandou procurar alebrijes. E lá fui eu. Monstrinhos que são uma mistura de animais com seres imaginários que devem ser colocados dentro de casa, preferencialmente de frente a porta de entrada, para espantar o mal olhado. Claro que adorei e segui em busca. E encontrei muitos. Na Cidade do México no mercado de artesanato, em Cuernavaca na loja de bugigangas... uma vez que passei a petar atenção vi alebrijes em quase todos os cantos.
Os charmosos monstrinhos surgiram, assim como a nomenclatura, com o artista Pedro Linares (1906 - 1992), em 1930. Delirando adoecido, sonhou com criaturas fantásticas e tão logo melhorou deu início a estudos em desenhos e papier mache, chegando a produção dos bichos em madeira, material no qual são produzidos até hoje.
Seu trabalho chamou a atenção de um galerista em Cuernavaca (sim, Rogério, você está lendo direito!) que o incentivou e eventualmente, do casal utra pop Frida Kahlo e Diego Rivera.
Eu já tenho uma coleçãozinha que inclui um imenso e lindo feito por encomenda e presente de um mexicano amigo fofo.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Ainda sobre paladares

Esta também foi uma viagem de alta gastronomia, em 10 dias visitei, com o super Rogério, dois dos eleitos entre os melhores 50 do mundo.
Um no México, o Biko e um americano do qual falarei depois.
O Biko é um desses restaurante de comida contemporânea molecular. Incrível!
Localizado em um bairro descolado da Cidade de México, com paredes e decoração beige, de uma simplicidade impressionante, um atendimento casual e simpático, ao contrário do que eu esperava, não nego que tenho um certo preconceito com restaurantes muito hypados.
Ao todo foram muitos pratos, todos minúsculos, de delícias impronunciáveis e em muitos casos impossíveis de identificar, todos os pratos eram casados com vinhos apropriados e ao fim a melhor sobremesa que já comi na vida até o momento. Era uma delícia de lichia recheada com queijo e melocoton, sob espuma de jamaica e sorvete de pão... ou seja, impossível de tentar em casa ou de saber ao certo o que era mesmo!

Segue um texto explicativo que achei na internet sobre culinária molecular bem bacana.

"O título do texto era para ter sido “Molecular: ABC de Quem Não Sabe Nada Para quem Sabe Menos Ainda“, mas ficou muito grande. E sim, sinceramente, eu não sei praticamente nada. Mas com uma pesquisa aqui e ali somado com os meus quase 2 anos e meio de química na faculdade não ajude a condensar tudo. Para alguma coisa o estudo acadêmico tem que servir, não?
A intenção é trazer alguma luz para esta vertente da cozinha que no Brasil ainda não é tão conhecida assim (pode ser nas faculdades e na alta gastronomia “?”) quando se comparada com a Europa e a Ásia. Entretanto, já ressalto que meu objetivo é algo básico e acessível para que todos possam compartilhar, nada de nomes e explicações esdrúxulos. Caso tenho curiosidade sobre o tema, be my guest!
Antes de mais nada temos que separar duas expressões utilizadas Gastronomia Molecular e Cozinha Molecular. O pessoal que faz uso das duas não gosta muito quando são empregadas de forma equivocada.

* Gastronomia Molecular: é o estudo científico dos processos químicos e físicos que ocorrem durante o cozimento. É possível criar novos métodos, técnicas e equipamentos, além de aperfeiçoar os já existentes.
* Cozinha Molecular: utiliza os conhecimentos descobertos da gastronomia molecular em seus pratos.

Mas nem todos aceitam os termos, uns adotam, outros repudiam. O que realmente importa é saber que ela existe e mudou algumas coisas na cozinha.
Mas… afinal o que realmente isso significa? Na verdade, verdadeira tudo é uma grande confusão, digamos. Por exemplo, o nome praticamente máximo hoje no assunto que vem a mente de todos é Ferran Adrià (el Bulli). Ele pode até não fazer parte do time propriamente dito (dependo da fonte que você lê), mas é o mais conhecido. Entretanto, muito do que ele (e vários outros) usam já existiam na indústria alimentícia. “Só” fizeram um novo uso dela.
De molecular, na essência da palavra, do meu ponto de vista, não tem nada. No sentido do que os chefs fazem, pois se fosse assim assar um suflé, bolo e afins seria. Mas pode ser molecular quando falamos no pesquisador Hervé This. Falaremos mais dele adiante.
Outros nomes desse filão aparecem: Pierre Gagnaire (restaurante homônimo, França) e Heston Bluementhal (do Fat Duck, Inglaterra) dos mais conhecidos. E Homaro Cantu (do Moto, EUA)"

terça-feira, 5 de julho de 2011

Apimentando

Ano passado fui ao México em busca de fuga. Acabara de sair de uma história que me fez mal e fugi a terra de Frida, dos lobos e das pirâmides em busca de paz. Quase de elevação, de uma fonte de calor diferenciada, sei lá. Cheguei lá e encontrei um caos quente e seco, pirâmides milenares e lindas tradições e uma energia incrível. Foi ótimo! E voltei renovada e encantada com o país.
Dessa vez, fui ao México para encontrar meu querido Rogério, comemorar meu aniversario e descansar um pouquinho. Pura e simplesmente. Encontrei o México das pimentas, de comidas insanamente estranhas, muitas variações de pão doce e do melhor café que já tomei. E olha que eu não costumo gostar de café adoçado.
Ano passado enquanto buscava as pirâmides não me dei muitas chances de experimentar a cozinha local. Já dessa vez comi toda a comida mexicana que podia. Se gostei? Não de tudo, mas ao menos tentei e provei coisas novas e inesperadas. Provei as pimentas, os peixes ao limão, as tortilhas em seus variados formatos, diferentes versões do queijo oaxaca e até mesmo um chicharron... de queijo!
E não, não fiz como Liz e ganhei 15 kg. Andei MUITO para compensar as comilanças e jantei muita salada! Nessa minha última visita, estive no Mexico dos sabores absolutamente exóticos e das pessoas amigáveis. E de Chaves, claro! Sempre!