ela acordou.
e escolheu sorrir.
um movimento simples.
lento.
para ser saboreado.
café-da-manhã completo.
moça bonita...
os lábios, espalhando brilho e vida, se abrem.
o rosto invadido. tomado. dominado.
imagem milimetricamente esculpida.
trabalho dos deuses. bênção. amém.
pequenos suspiros de paixão.
flerte sacana com o desejo.
a boca se estende.
o sorriso surge.
nasce pequeno, tímido até.
de repente, está lá, inteiro.
exibindo-se.
exibido.
pobre mortal.
claro que estou falando de mim.
de você.
de todos.
hipnotizados.
parados.
respiração presa.
palavras gaguejando no cérebro.
implorando ao deus e ao diabo para o momento não acabar.
não, não acaba.
nunca acaba.
mais fácil o mundo acabar.
sorriso não é substantivo.
não se conjuga.
igual o dela, não tem plural.
é eterno.
ela volta a dormir.
com um resto daquele sorriso no canto da boca.
moça bonita.
quinta-feira, 31 de julho de 2008
quarta-feira, 30 de julho de 2008
terça-feira, 29 de julho de 2008
Debaixo dos Caracóis...
Ganhei um disco da Fernanda Takai. Adorei! A moça tem voz suave e agradável cantando bossa nova numa homenagem à musa do movimento, Nara Leão. Lá pelas tantas ouço uma música que me fez entrar no túnel do tempo: os pesados anos de chumbo vividos pela sociedade brasileira durante o governo militar. Ele flutuava, ora acariciando, ora batendo com força nos estudantes e nos cidadãos por tentarem protestar contra a dita-dura. Passei pelo prédio do Dops como todo estudante daquela época. Confesso, eles nunca me bateram.
1970: só se falava em milagre brasileiro, termo relacionado ao desenvolvimento. Não me pergunte qual, por favor... A censura corria solta e o Brasil foi tricampeão. Os primeiros compact disc estavam sendo criado. Os Novos Baianos lançaram seu primeiro disco e a Tropicália estava em gestação. Gil e Caetano não tinham noção da importância futura do movimento na cultura brasileira. Raul Seixas, Jerry Adriane, Vanderléia, The Beatles, Jimi Hindrix, Janis Joplin eram nossos ídolos. Também tinha a dupla de compositores Erasmo e Roberto Carlos. O sonho acabou...desabafou John Lennon, enquanto o Brasil retrucou: o pesadelo mal começou.
Caetano Veloso exilado em Londres, teve permissão para passar um mês no Brasil, por ocasião dos quarenta anos de casados de seus pais. Quando ele desembarcou no Rio de
Janeiro foi recepcionado pelos militares e interrogado. O governo deu também seu recado: queria uma música dele elogiando a Transamazônica, uma obra que nunca foi concluída. Ele disse não e ironicamente seu próximo disco lançado na Inglaterra teve como título Transa. Nesse pano de fundo, Erasmo e Roberto Carlos compuseram uma música em homenagem ao baiano: Debaixo dos caracóis de seus cabelos. Daí o titulo do meu post e o motivo dessas recordações. Caetano Veloso não foi o único brasileiro a ficar no exílio. Talvez, ele tenha somente se tornado o mais conhecido. Fernando Henrique Cardoso e Ruth, Leonel Brizola, o governador Serra, Chico Buarque, David Capistrano Filho e muitos outros permaneceram longo tempo fora do país. Tinha também Erasmo e Roberto Carlos... frase escrita por puro preconceito. Como se eles fossem um mundo a parte. Daí a surpresa de muitos com a canção. O que deve ter marcado forte foi o fato de Roberto, considerado alienado pelos estudantes e pela classe intelectual compor a música. Qualquer um de nós gostaria de ter escrito os versos.

“As luzes e o colorido / que você vê agora / nas ruas por onde anda / na casa onde mora / você olha tudo e nada / lhe faz ficar contente / você só deseja agora / voltar pra sua gente”.
Sim, Caetano trouxe debaixo dos caracóis de seus cabelos muita história pra contar, mas deu a minha geração uma lição de tolerância e humildade difícil de esquecer, pois sempre gravou as músicas de Roberto e outros “cafonas” mostrando que cultura erudita e popular é só cultura. São as duas faces desse território verde/amarelo imenso.
Atualmente está preparando um show ao lado do rei Roberto Carlos e deve ter gente pensando que ele está pegando carona no sucesso do outro. O inverso é mais provável, mas deixa pra lá. Esse é o admirável Caetano Veloso, um poeta enormenormenorme...
1970: só se falava em milagre brasileiro, termo relacionado ao desenvolvimento. Não me pergunte qual, por favor... A censura corria solta e o Brasil foi tricampeão. Os primeiros compact disc estavam sendo criado. Os Novos Baianos lançaram seu primeiro disco e a Tropicália estava em gestação. Gil e Caetano não tinham noção da importância futura do movimento na cultura brasileira. Raul Seixas, Jerry Adriane, Vanderléia, The Beatles, Jimi Hindrix, Janis Joplin eram nossos ídolos. Também tinha a dupla de compositores Erasmo e Roberto Carlos. O sonho acabou...desabafou John Lennon, enquanto o Brasil retrucou: o pesadelo mal começou.
Caetano Veloso exilado em Londres, teve permissão para passar um mês no Brasil, por ocasião dos quarenta anos de casados de seus pais. Quando ele desembarcou no Rio de
Janeiro foi recepcionado pelos militares e interrogado. O governo deu também seu recado: queria uma música dele elogiando a Transamazônica, uma obra que nunca foi concluída. Ele disse não e ironicamente seu próximo disco lançado na Inglaterra teve como título Transa. Nesse pano de fundo, Erasmo e Roberto Carlos compuseram uma música em homenagem ao baiano: Debaixo dos caracóis de seus cabelos. Daí o titulo do meu post e o motivo dessas recordações. Caetano Veloso não foi o único brasileiro a ficar no exílio. Talvez, ele tenha somente se tornado o mais conhecido. Fernando Henrique Cardoso e Ruth, Leonel Brizola, o governador Serra, Chico Buarque, David Capistrano Filho e muitos outros permaneceram longo tempo fora do país. Tinha também Erasmo e Roberto Carlos... frase escrita por puro preconceito. Como se eles fossem um mundo a parte. Daí a surpresa de muitos com a canção. O que deve ter marcado forte foi o fato de Roberto, considerado alienado pelos estudantes e pela classe intelectual compor a música. Qualquer um de nós gostaria de ter escrito os versos.

“As luzes e o colorido / que você vê agora / nas ruas por onde anda / na casa onde mora / você olha tudo e nada / lhe faz ficar contente / você só deseja agora / voltar pra sua gente”.
Sim, Caetano trouxe debaixo dos caracóis de seus cabelos muita história pra contar, mas deu a minha geração uma lição de tolerância e humildade difícil de esquecer, pois sempre gravou as músicas de Roberto e outros “cafonas” mostrando que cultura erudita e popular é só cultura. São as duas faces desse território verde/amarelo imenso.
Atualmente está preparando um show ao lado do rei Roberto Carlos e deve ter gente pensando que ele está pegando carona no sucesso do outro. O inverso é mais provável, mas deixa pra lá. Esse é o admirável Caetano Veloso, um poeta enormenormenorme...
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Da terrinha

Já disse aqui uma vez que nasci e fui criado numa pequena cidade do interior. Embora seja muito pequena, com pouco mais de 30 mil habitantes, e muito do interiorrr, a 600 quilômetros da capital, é incrível a capacidade de encontrar com meus conterrâneos, não só aqui em São Paulo como em qualquer outro lugar do Sistema Solar. Lembro-me da primeira vez que saí à noite em São Paulo, há mais de 8 anos, coincidentemente com a Jana Fainer. Fomos a um teatro não me recordo muito bem onde, mas na fila encontrei com um conhecido da minha cidade natal. Fiquei espantado. Depois da peça, fomos a um bar na Vila Madalena. Foi chegar e encontrar mais outro conterrâneo! Pensei que jamais poderia fazer nada de errado aqui.
Isso tem se repetido frequentemente ao longo desses anos. Parar, no trânsito, imediatamente atrás de um carro com a chapa de lá ou de uma cidade vizinha, virou uma coisa natural. Passei a entender o porquê a população da cidade não cresce: eles se esparramam pelo mundo! Parece erva-daninha, que surge em todos os lugares.
De férias em Porto de Galinhas, com minha namorada e conterrânea também, encontramos com a irmã de um amigo “das antigas”. Meus irmãos, quando viajam, também encontram com conhecidos. Quando se pára em qualquer posto de gasolina, em qualquer um dos caminhos que liga a cidade à Capital, em um feriado prolongado, encontram-se rostos familiares. Minha colega de baia, ao meu lado, é filha de conterrâneo. Outro colega do trabalho nasceu na cidade vizinha. Meu pai, que passou semana passada semana aqui, encontrou ex-aluna na esquina e filho de colega numa loja.
Quando as pessoas perguntam de onde sou, normalmente explico que vim de uma pequena cidade do interior, que nunca ouviram falar. Evito dizer o nome. Se não confundem com uma cidade de Minas Gerais, cujo nome é semelhante, dizem que tem um amigo que conhece alguém de lá. Isso não é raro.
Minha irmã tem uma teoria que diz que Adão e Eva eram de Adamantina e que o Sermão da Montanha aconteceu no Buracão do Endo.
domingo, 27 de julho de 2008
Esse não vai ser um bom post
Um post sobre questões ou peça ou exposição. Vai ser um post que está exatamente como eu nesse momento. OK. Nem bem nem mal. OK!Essa semana teve de tudo. Começou já quente com briga em equipe e portas sendo esmurradas ainda na segunda feira de manhã. E piorou. Teve fim de amor. Que amor? Fim. Teve uma ligação feita à luz do dia daquelas que lembram aqueles medos infantis que se resolviam à luz do dia. O medo passava, a realidade voltava ao normal e as sombras na parede eram somente sombras na parede, graças à luz do dia. A simples chegada do sol, da claridade, gente andando na rua. E foi isso. Naqueles dois ou três minutos a vista clareou. E tudo foi isso. À luz do dia a voz não era sedutora, a conversa interessante... A luz do dia tudo era tão cristalino. Ele não era o homem que buscava.
Lembram daquele episódio em que Angela do My so called life acorda, ouve The Misfits e descobre que esqueceu Jordan Catalano? Foi bem isso. Em uma ligação descobri que já era e fiquei feliz com isso. E a semana seguiu turbulenta e atribulada. Corri muito. Tive TPM. Tomei decisões. Tive saudade de casa. De comida de mãe, de ver filme com pai e jogar conversa fora. Saudade de casa. Passei horas na academia e na sauna porque o melhor remédio para stress é suar muito mesmo. E tomei cerveja porque senão a academia pode funcionar e isso não teria sentido! E revi amigo eterno e dei risada com novos e tudo foi bacana. Joguei na Mega Sena. Não ganhei ainda. Corri mais um tanto e outras discussões vieram e foram acalentadas. Conversei bastante. E já, senhoras e senhores, estou de queda por um cara. Estranho, como sempre. E veremos os próximos capítulos. Mas felizmente hoje é domingo e como domingo a vida se encontra suspensa entre aquilo que foi e o que será. Outra semana começa.
sábado, 26 de julho de 2008
Acerto de Contas
Acho que nunca tinha comentado com ninguém. Por falta de termos tocado no assunto, no entanto. Não que tivesse algum problema em falar.
Desde o primeiro vestibular que fiz prá Economia na Unicamp em 1994/95, passei a ter uma implicância absurda com a obra Guernica, de Picasso.
Algumas pessoas sabem que apesar de minhas notas terem sido superiores às das pessoas que foram aprovadas em outras matérias, exceto história, eu fui DESCLASSIFICADO do vestibular. Pois é... há uma possibilidade de desclassificação quando algumas condições mínimas para aprovação não são alcançadas. No meu caso, as condições mínimas eram tirar 3 de história e matemática na segunda fase. Acreditem ou não, mas eu tirei 2,2 em história... E na minha cabeça a culpa era da Guernica até a semana passada.
A única questão da prova que nunca saiu da minha cabeça, foi uma em que o quadro de Picasso era apresentado e tínhamos de dissertar sobre o quê o quadro retratava. Convenhamos que prá um garoto de 17 anos estudando em Bauru, seria normal não saber nada sobre a Guerra Civil Espanhola... Eu não tinha a menor idéia, ao menos...Aliás, essa coisa de arte começou a entrar na minha vida ao vir prá SP com uns 21/22 anos somente...
Enfim... depois de ficar com a imagem do quadro marcada em minha mente e estar confiante de que havia passado no vestibular, algumas semanas depois tive a inesperada resposta de que não... não tinha sido daquela vez. Tinha sido desclassificado do vestibular.
Eu nem pensava nas outras perguntas que errei... Fiquei sempre com aquele quadro maldito na cabeça e pensando que se eu soubesse o que estava ali, eu teria passado no vestibular em Campinas, como tudo deveria ter acontecido...
Academicamente, tomei outro rumo, e não sei dizer se melhor ou pior... mas fui e sou bem feliz, então não penso muito nisso.
Mas o quadro...sempre ficou aqui... sempre meio que impliquei com aquela imagem daquele touro, daquela gente deformada e meio que queria que a Guerra Civil Espanhola se danasse. Associava a uma daquelas idéias de que deve ser um quadrozinho de meio metro quadrado exposto num museu idiota prá um monte de imbecis acharem que é algo importante...
Estava em Madrid na semana passada. Obviamente fui ao Centro Reina Sofia para admirar a arte e com certeza aproveitaria prá desdenhar mais um pouco daquela imagem idiota de Picasso...
No entanto, lá estava ele... numa sala exclusiva, ENORME (3,5 x 7,5 m) exposto com iluminação especial... cercado de pessoas do mundo todo, com seus queixos caídos.
Eu era mais um deles...
Senti um calafrio. Fui pego desprevinido. Aquela imagem que sempre foi associada ao meu fracasso no vestibular nada tinha a ver com aquele painel enorme e maravilhoso exposto na parede. O medo, a tristeza, os assassinatos...tudo está ali...Como é possível alguém conseguir descrever tanto em tão pouco?
Não conseguia parar de olhar... Ouvi o audio-guia 8 vezes prá pegar cada detalhe do que ali estava exposto... Fiquei por volta de meia hora naquela sala, olhando prá mesma parede. E havia mais... esboços, fotografias, maquetes do pavilhão de exposição da Espanha onde foi apresentado o quadro em 1937...tudo ali... perfeito...grandioso... significativo.
Não consegui parar de sorrir depois de sair do museu. Foi uma sensação interessante e tenho certeza de que a sentirei poucas ou nenhuma outra vez.
Mais tarde, alguns amigos indicaram-me assistir a um dos excelentes documentários da BBC de Londres que tinham em sua casa justamente sobre Picasso.
No documentário é narrado um momento em que os militares dirigem-se a Picasso e perguntam se foi ele quem fez aquilo que está na parede, referindo-se à Guernica. O artista volta-se a eles e então responde: "Não....Foram vocês..."
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Cerveja...
Estou extremamente feliz com o fato de não dirigir. Tenho carta de motorista, mas não dirijo. Não se trata de opção. Mas, definitivamente, desisti de pedir emprestado o carro do meu pai ou da minha mãe. Mas nem ligo para isso. Confesso! Enquanto outros tantos jovens fazem de tudo para pegar emprestado o carro do pai e dar umas voltas pela cidade, eu vou até o ponto de ônibus próximo à minha casa e, alguns minutos depois (ok, algumas vezes, algumas horas depois), chego ao lugar que desejo. Assim, não me preocupo, em tempos de "lei seca", onde haverá uma blitz policial. E, conseqüentemente, eu bebo feliz da vida. E, se tiver amigos ao meu lado, bebo mais feliz ainda.
Desde sábado passado, tenho encontrado amigos pela cidade. Em botecos, baladas, teatros paulistanos. Se no sábado, à tarde, bebi a felicidade de reunir amigos de longa data, à noite, no mesmo dia, comecei a dançar e só fui parar no dia seguinte. Dia, inclusive, que foi completo com medo, gritaria e muitas emoções em brinquedos do Playcenter... impossível esquecer a moça que "controla" o brinquedo do Turbo Drop... "tchau, tchau tchau"...
Desde segunda, em botecos da avenida Paulista e região, bebo a vontade de matar a saudade de amigos de perto e de longe. A raiva desapareceu depois de um único abraço. Para completar, aquela com quem protagonizo dramas e comédias me disse que não deveria ficar bravo. E ela tem razão! E, mais uma vez, contamos, um para o outro, nossos sonhos do presente...
Hoje tem mais cerveja... mais uma despedida... mais uma história que termina um capítulo! Não esqueça de brindar antes de dar o primeiro gole na gelada cerveja...
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