Sim, eu desejo de coração que o destino de todos vocês seja registrado por D'us no Livro da Vida. Essa é a saudação mais comum, a partir de hoje na comunidade judaica. Dia 30 de setembro/ Rosh Hashaná, corresponde ao primeiro dia do ano 5 769. Com início previsto para o por do sol de hoje, ou seja: ao se avistar a primeira estrela no céu, estarei vivendo em um novo ano. A festa deve durar dois dias para garantir que coincida com a data em Israel, pois o calendário judaico é regido pela lua. O jantar de ano novo é composto de comida tradicional como bolinho de peixe com molho de cogumelos, patê de fígado de galinha, arenque???? Onde vou encontrar aqui em Bauru? Aquele pão branco redondo... Vinho, essa é a melhor parte para a autora dionisíaca, amiga de vocês. Escrevendo assim pareço alcoólatra. Dez dias depois acontece o Yom Kimpur/dia do perdão. Nesse ano vou pedir perdão ao meu amigo Litto. Certa vez, fiz uma solicitação – quase impossível – a ele nesse dia. Além do pedido, a maldade maior foi lembrá-lo do dia. Mais alguma coisa inconfessável? Desejar boa viagem sabendo do destino: Israel. Eu não sou uma boa pessoa, sei disso. Se arrependimento matasse... mas, conforme reza a tradição uma parte importante do serviço do Yom Kimpur são as confissões para refletir sobre as más ações. Confessá-las verbalmente, é parte do arrependimento formal ao pedir o perdão. Litto, “somos culpados”. Esses pedidos são sempre feitos no plural. Não me perguntem por que. Ou melhor, vou dizer, a comunidade/união com o todo é parte importante na vida judaica. Então, Litto perdoe-me, se puder...e “que você seja inscrito no Livro da Vida”.
O desânimo pela falta de trabalho rapidamente desapareceu depois que o telefone tocou. Uma nova encomenda foi pedida e ele saiu para procurar a mercadoria. Rodou durante mais de 40 minutos até encontrar o Monza 94, a álcool, parado próximo à agitada avenida de bares e restaurantes.
Parecia que o carro estava esperando por ele. Quando o viu, os velhos sintomas surgiram e o fizeram sentir-se vivo novamente. O coração passou a bater mais forte e rápido, suas mãos se tornaram úmidas e a garganta secou. Não pôde conter a excitação e disse em voz alta, como se quisesse avisar o carro. “Finalmente chegou sua hora. Logo, deixará de ser essa desprezível lata-velha e sua vida se prolongará em inúmeros outros carros.”
Rapidamente olhou ao seu redor e, com uma agilidade que deixaria seu pai orgulhoso, abriu a porta e deu partida no motor. Sem demora, saiu ,tranqüilamente, rumo à velha oficina onde transformaria a encomenda em dezenas de peças.
Depois de dirigir por alguns minutos, ouviu um barulho que vinha do banco de trás. Não acreditou no que viu! Teve que voltar a cabeça para trás várias vezes e ter a certeza de que sua visão não estava distorcida. Os sintomas de minutos atrás tinham voltado de forma tão intensa, que não podia raciocinar direito. Estava dominado pela surpresa e buscava encontrar uma explicação lógica para o que via. Afinal, nunca, em tantos anos de função, havia “achado” uma criança dormindo tranquilamente no banco de trás de uma encomenda.
“Só levo encomendas!! Não mexo com gente! O que esse moleque está fazendo aqui? Quem foi o filho da mãe que largou o menino aqui?” Estava transtornado, sem saber o que fazer.
Continuou dirigindo por mais 20 minutos, tempo que levou para decidir o que fazer. Imaginou onde poderiam estar os pais da criança. “Além de atrapalharem meu trabalho, são verdadeiros ladrões! Estão roubando a infância do moleque!” Pensava nisso sem parar.
Decidiu que teria que devolver o moleque e, com ele, a encomenda. Isso iria lhe custar caro. Não podia deixar o mercado desabastecido, ainda mais em tempos de crise. “Filhos da mãe!!” Resolveu avisar a polícia. E assim o fez. Queria fazer uma denúncia formal, mas não podia, afinal, não tinha tempo a perder. Discou 190, informando o que havia acontecido, onde encontrar o carro com a criança, e, com energia, “ordenou” que punissem os verdadeiros ladrões, os pais que abandonaram o filho.
Depois de três dias de trabalho em semi confinamento com o mundo, a liberdade. E no primeiro momento de liberdade, Mamma Mia. Juro que nem estava asssim tão com vontade de ver o filme mas quer saber? É bacana. Mas só para quem gosta de Abba porque senão, dançou. Literalmente o filme é meio sem pé nem cabeça e é bem engraçado ver e Meryl Streep e o Pierce Brosnan cantando e dançando... mas é Abba e Abba é por tradição o máximo da cafonice e tudo é perdoado e você fica sentadinho querendo sair pelo cinema berrando e dançando Dancing Queen com um monte de estranhos. Se o filme é bom? Não, mas vale pelos 108 minutos de Abba e fantasia pura.
Amanhã é véspera de Rosh Hashaná, o ano novo judaico abaixo segue lista de alimentos simbólicos ingeridos na refeição da primeira noite de Rosh Hashaná... Shaná Tová a todos e que 5769 seja um ano doce.
Maçã Mergulhamos uma fatia de maçã doce no mel, recitamos a bênção da fruta (Borê Peri Haêts) e falamos: "Yehi ratson milefanêcha shetechedêsh alênu shaná tová umetucá". "Possa ser Tua vontade renovar para nós um ano bom e doce ".
Chalot As chalot servidas em Rosh Hashaná são redondas, símbolo de continuidade e eternidade, como o círculo que não tem começo nem fim; sem ângulos, nem arestas, um pedido para um ano sem conflitos. Costuma-se mergulhar o pão no mel em vez do sal habitual, em todas as refeições desde Rosh Hashaná até o sétimo dia de Sucot.
Mel O valor numérico da palavra "dvash" (mel) equivale ao valor de "Av Ha'Rachamim" (Pai Misericordioso): assim o mel representa a esperança de que a sentença decretada pelo Supremo Juiz seja amenizada pela Sua compaixão
Frutas e alimentos especiais É costume comer carne e vinho doce ou qualquer bebida doce nesta refeição, para ter um ano farto e doce. Na segunda noite de Rosh Hashaná, imediatamente após o kidush, costuma-se ingerir uma fruta nova, a primeira vez que comeríamos nesta estação, a fim de pronunciarmos a bênção de Shehecheyánu. Há quem costume recitar uma prece especial (Yehi ratson) antes de ingerir qualquer um dos seguintes alimentos. Conforme o costume Chabad, Yehi ratson só é recitado ao ingerir a maçã com mel. Os sefaradim colocam no centro da mesa uma cesta (Traskal) contendo diferentes espécies de frutas que contém muitas sementes, para que as boas ações sejam numerosas no ano vindouro além de alimentos especiais entre os quais maçã, alho poró, acelga, tâmara, abóbora ou moranga, feijão roxinho, romã, peixe e cabeça de carneiro (que pode ser substituída por língua de boi ou cabeça de peixe). Antes de ingerir cada um dos nove alimentos recita-se um "Yehi Ratson" especial:
Alho-Poró "Yehi Ratson milefanêcha sheyicaretu oyvêcha vessoneêcha, vechol mevacshê raatênu". "Possa ser Tua vontade que sejam exterminados Teus inimigos e Teus oponentes e todos aqueles que querem nosso mal".
Acelga "Yehi Ratson milefanêcha sheyistalecu oyvecha vessoneêcha, vechol mevacshê raatênu". "Possa ser Tua vontade que sejam removidos Teus inimigos e Teus oponentes e todos aqueles que querem nosso mal".
Tâmara Costuma-se ingeri-la para que acabem nossos inimigos (em hebraico, yitámu, parecido com tamar). "Yehi Ratson milefanêcha sheyitámu oyvecha vessoneêcha, vechol mevacshê raatênu". "Possa ser Tua vontade que sejam consumidos Teus inimigos e Teus oponentes e todos aqueles que querem nosso mal".
Abóbora, moranga ou cenoura A palavra "mern", em yidish, pode ser traduzida como "cenoura" e também como "se multipliquem". Por isto comemos cenoura - para que os méritos se multipliquem. "Yehi Ratson milefanêcha sheticrá rôa guezar dinênu, veyicareú lefanecha zechuyotênu". "Possa ser Tua vontade que o decreto ruim de nossa sentença seja rasgado em pedaços, e que nossos méritos sejam proclamados perante Ti".
Feijão roxinho "Yehi Ratson milefanêcha sheyirbu zechuyotênu". "Possa ser Tua vontade que nossos méritos se multipliquem".
Romã Costuma-se ingerir em sinal para que aumentem nossos méritos como os caroços da romã. Há uma explicação que a romã possui 613 caroços - o número das mitsvot da Torá. "Yehi Ratson milefanêcha sheyirbu zechuyotênu carimon". "Possa ser Tua vontade que nossos méritos cresçam em número como [as sementes] da romã".
Peixe "Yehi Ratson milefanêcha shenifrê venirbê cadaguim; vetishgach alan beená pekichá". "Possa ser Tua vontade que nós nos frutifiquemos e nos multipliquemos como peixes; e cuida de nós com olho aberto [atentamente]".
Cabeça de carneiro, língua ou peixe com cabeça Costuma-se ingerir um destes alimentos para que sejamos cabeça e não cauda: - de carneiro, para lembrar o mérito do sacrifício de Yitschac que foi substituído por um carneiro. - de peixe, para que o ser humano se multiplique como os peixes. "Yehi Ratson milefanêcha shenihyê lerosh velô lezanav". "Possa ser Tua vontade que sejamos como a cabeça e não como a cauda".
Ingredientes que devem ser evitados Não se come nada temperado com vinagre em Rosh Hashaná ou raiz forte para não ter um ano amargo. Nozes também não devem ser ingeridas nestes dias. Um dos motivos é porque as nozes provocam pigarro que pode atrapalhar as orações do dia; outro motivo é que o valor numérico da palavra egoz (noz) corresponde ao da palavra chet (pecado) sem o alef.
Apesar de não estar acompanhando e de estar DESESPERADO por não poder votar no dia do primeiro turno das eleições porque prá variar vou estar viajando e cometi a cagada de marcar um vôo no sábado antes das eleições, tenho de admitir que esse ano promete... Parece que o mundo todo está em debate para novas administrações. O Brasil está num nível mais baixo, elegendo prefeitos, mas também é um momento diferente dos passados. Novos personagens, velhos caras-de-pau... mas acho que coisas boas podem sair disso.
É a primeira vez que o PT como situação tem realmente coisas positivas a mostrar na administração federal e pode influenciar resultados no nível mais baixo.
No entanto, qualquer um que saiba ler e tenha o mínimo de senso sabe que nada do que está acontecendo de bom tem a ver com o PT e sim com o fato de que nada de novo foi alterado em relação ao passado. Simplesmente garantiram continuidade...o que não é mais do que sua obrigação.
Mas como não tenho estado muito tempo no Brasil, tenho pouco acompanhado as coisas por aí. Óbvio que votaria no KASSAB em São Paulo porque sou filiado ao Democratas e porque simpatizo e confio no cara.
Aliás, recomendo a todos o novo livro do Reinaldo Azevedo, "O País dos Petralhas" (lembram dos Irmãos Metralha de Walt Disney, não?), que segundo o vendedor da Livraria Cultura é o "Lançamento editorial do segundo semestre de 2008" (super oportuno, não acham?).
Enfim...estou lamentando não poder participar disso tudo e ter de ficar de olho em debates de Obama e McCain e não ter oportunidade de ver Martaxa-botox-adúltera-relaxa e goza Suplicy falar seus absurdos...
Gosto da Soninha, mas acho que essa coisa idealista não tá com nada...é perda de tempo e não vence eleições, vamos admitir. O Maluf é deprimente. Chega a dar pena. O Alckmin perdeu o fi0 da meada e deveria mudar a abordagem. Os outros pequenos eu não tenho a menor idéia de quem são. Sobrou quem? O Kassab que, apesar de eventualmente falar uns absurdos - vejo o Kassab como o Hamilton na F1. Tem talento prá caramba, mas comete uns erros absurdos, tipo avançar no sinal vermelho - é realmente meu favorito.
Li recentemente num blog que frequento que não se escuta as pessoas em São Paulo debatendo as eleições, o que não é bom. Tenho de concordar. Estou até mesmo surpreso porque ando convivendo muito com norte-americanos e para um país onde o voto não é nem obrigatório, o debate está imenso. Não se passam muitos momentos sem que o assunto seja discutido, enquanto por aí as coisas estão meio mornas.
Mas é isso... Na verdade, quis somente colocar o assunto em pauta. Ninguém fala de política normalmente, mas eu, apesar de minhas opiniões um pouco extremistas, acho importante que o tema não seja esquecido.
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril. Oscar Wilde
"Quem quiser vatapá, ô Que procure fazer Primeiro o fubá Depois o dendê Procure uma nega baiana, ô Que saiba mexer Bota castanha de caju Um bocadinho mais Pimenta malagueta Um bocadinho mais Amendoim, camarão, rala um coco Na hora de machucar Sal com gengibre e cebola, iaiá Na hora de temperar Não para de mexer Que é pra não embolar Panela no fogo Não deixa queimar Com qualquer dez mil reis e uma nega, ô Se faz um vatapá Que bom vatapá"
A música é de Dorival Caymmi. O vatapá ao qual me refiro é o da Janira. Vatapá: prato típico da Bahia, com influência africana. Chegou ao Brasil com a feijoada e os escravos. No seu preparo entram, dentre outros ingredientes, o peixe, o camarão, o gengibre, o tomate, o leite de coco, a castanha de caju e camarão seco moídos. Para Caymmi, tem de mexer pra não embolar... Para quem não sabe, Janira é mãe da Janaina, a menina dos domingos. Ela é minha amiga há muitos anos. Tão diferente de mim. Estranho, não é? Ela é arrumadinha, cabelo chanel e reflexo retocado todo mês. Preocupada com moda, decoração, design, coisas da profissão. Séria, com fama de intelectual, mas tão mundana. Mesmo assim, tão mãe. Quer dizer, vamos perguntar para os filhos dela, começando pela coleguinha do domingo. Meio hippie, o dr. Flávio, meu dentista, jura que sou maconheira, não sou. Gosto de velhos abrigos e bermudas cortadas, sem barras, sandálias de plástico. Tenho um vestido indiano de estimação beirando os trinta anos. Ela é colunável, aparece no jornal dia sim, dia não. Eu quero ficar escondidinha no meu canto. Bom, tudo isso para contar sobre o convite para comer um vatapá na casa dos Bastos. As coisas fervem por lá, dizem. Eu não vi nada disso. Só uma porção de gente ligada à política e a cultura, muito à vontade. Ju Machado e Lu Gonçalves, inclusive. Elas dispensam apresentação, mas como só o Thiago Roque esteve por aqui, vou contar: Ju é a mulher das artes, com galeria e tudo, Lu é produtora, a maior produtora de eventos culturais, que conheço. Costumam chamá-la de menina do dedo verde, pois onde ela põe sua mão a coisa floresce. De acordo com a Janira, no vatapá dela não vai fubá, nem amendoim, então, talvez, sejam licenças poéticas do Caymmi. Eu esperava que oferecessem uma cachaça, porém, a bebida era vinho. Nem me atrevi a pedir cerveja, alguém podia se ofender. Cerveja, sei lá... Comi vatapá na Bahia e não era nada parecido com a delicia servida naquela noite. De acordo com os anfitriões, a receita foi fornecida há alguns anos pela mulher baiana do poeta Nidoval Reis. Trata-se da verdadeira comida da Bahia, aquela da Dadá e outras cozinheiras famosas, que passaram pelas casas do Antonio Carlos Magalhães e de Jorge Amado. Um maná dos deuses, mesmo. O Jair falou em festa da Babette. O creme de acaçá foi feito pelo Marcelo Garcia, sim, ele mesmo, o paisagista poliglota. Mas, vamos falar sério. A reunião estava ótima. As entradas sofisticadas, o vatapá e seu complemento, uma delícia, e as sobremesas de acabar com qualquer dieta. Teresa e seu creme com aqueles morangos cobertos de chocolate e o mousse de frutas vermelhas da dona da casa eram de matar qualquer cristão. Mesmo assim, saí de lá com uma sensação de incompletude. Coisas de Rosa, dirão alguns. Mas, faltaram duas coisas. Cadê o quindim? E decepção maior, cadê a caipirinha? Quando e onde se pode servir comida baiana, tá bom, vatapá, e não dar de beber aos apreciadores de cachaça, como eu, pelo menos uma caipirinha de maracujá, pois limão não tinha. Peixe e camarão foram temperados com vinagre... estou mentindo, Janaina? Busco explicação para o inexplicável. Seria uma homenagem, ao pessoal relacionado à cultura? Em tempos de eleição, tudo é possível... Com a palavra Thiago Roque!