Frequentemente foi classificado como um "poeta maldito" e, de fato, em sua poesia evoca muitos poetas que são tradicionalmente considerados malditos, citando-os nominalmente grande parte das vezes. É o caso de Álvares de Azevedo, Antonin Artaud, Rimbaud, Sade e Pier Paolo Pasolini entre outros
Roberto Piva tornou-se cultuado pela sua poesia experimental e onírica, com referências que vão de Dante Alighiere à geração beat norte americana. Recentemente, toda sua obra foi republicada pela editora Globo em três volumes:
Um estrangeiro na legião
Mala na mão e asas pretas
Estranhos sinais de saturno
Ainda mais recente é o livro Paranóia, originalmente lançado em 1963 e republicado em 2009 pelo Instituto Moreira Salles. Nele, 19 poemas de Piva são ilustrados pela fotografia do artista plástico Wesley Duke Lee. Retrata uma São Paulo caótica e maldita. Roberto faleceu em julho passado.
Paranóia
Eu vi uma linda cidade cujo nome esquecio
nde anjos surdos percorrem as madrugadas tingindo seus olhos
com lágrimas invulneráveis
onde crianças católicas oferecem limões
para pequenos paquidermes que saem escondidos das tocas
onde adolescentes maravilhosos fecham seus cérebros
para os telhados estéreis e incendeiam internatos
onde manifestos niilistas distribuindo pensamentos furiosos puxam a descarga sobre o mundo
onde um anjo de fogo ilumina os cemitérios em festa e a noite caminha no seu hálito
onde o sono de verão me tomou por louco e decapitei o Outono de sua última janela
onde o nosso desprezo fez nascer uma lua inesperada no horizontebranco
onde um espaço de mãos vermelhas ilumina aquela fotografia de peixe escurecendo a página
onde borboletas de zinco devoram as góticas hemorróidas das beatas
onde os mortos se fixam na noite e uivam por um punhado de fracas penas
onde a cabeça é uma bola digerindo os aquários desordenados da imaginação
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
domingo, 29 de agosto de 2010
Row
"Pela ordem. A) Não gosto de pensar que você é a oposição. Não é assim que penso em você. B) E essa história de "ter o direito de viver" Eu gostaria de pensar que você já vivia, mesmo antes de nos separamos. E como venho tentando explicar para você, eu não tenho certeza se estou vivendo. Não no sentido que você menciona. Seja como for. Nós estamos nos desviando do assunto. E o assunto é... você conheceu alguém."
Juliet, nua e crua - Nich Hornby
No meu recente ímpeto literário comprei (sim sim, estou gastando muito dinheiro em livros ultimamente eu sei) e li Juliet, nua e crua, o mais novo romance de Nick Hornby, um dos meus autores favoritos.
Não li em dois dias como o Martin Page, até porque são 157 páginas contra as 269 de Hornaby. Mas li em uma semaninha em todo e qualquer intervalo que tive entre atividades supostamente mais importantes.
E, obviamente, adorei. O livro, criticado por muitos por ser anti cultura pop, é uma delícia. E não é anti cultura pop. E não é maldoso. E não vai contra tudo o que Hornby escreveu até agora.
O autor mostra o fim do relacionamento entre Duncan, um fã fanático (pleonasmo eu sei mas é a única forma de descrever o personagem e o grau da sua loucura) que trai a namorada Annie causando assim a ruptura do relacionamento que já não andava bem, enquanto no meio disso tudo, Tucker, o ídolo pop aposentado e misantropo de Duncan, relança uma versão sem tratamento de seu álbum de maior sucesso.
Talvez um pouco mais doce e bondoso do que os anteriores, se bem que Hornby sempre foi deveras gentil com seus personagens imperfeitos e seu público tão incerto quanto, Juliet mostra dúvidas e incertezas eternas na vida dessa geração que foi adolescente nos anos 90, ouvindo pop rock inglês e que ainda não tinha O ORÁCULO google.
Vamos combinar que hoje em dia quase tudo se resolve via google. Wikipedia também ajuda. Ok, talvez nada se RESOLVA mas tudo é muito bem analisado e pesquisado de uma forma sem precedentes.
E aí que as opções nem sempre tão são simples, e o azul do céu tão plácido e o acorde tão bem colocado. Mas já estou divagando.
Resumindo, leiam Juliet. E juro que não estou trabalhando para a Editora Rocco.
Juliet, nua e crua - Nich Hornby
No meu recente ímpeto literário comprei (sim sim, estou gastando muito dinheiro em livros ultimamente eu sei) e li Juliet, nua e crua, o mais novo romance de Nick Hornby, um dos meus autores favoritos.Não li em dois dias como o Martin Page, até porque são 157 páginas contra as 269 de Hornaby. Mas li em uma semaninha em todo e qualquer intervalo que tive entre atividades supostamente mais importantes.
E, obviamente, adorei. O livro, criticado por muitos por ser anti cultura pop, é uma delícia. E não é anti cultura pop. E não é maldoso. E não vai contra tudo o que Hornby escreveu até agora.
O autor mostra o fim do relacionamento entre Duncan, um fã fanático (pleonasmo eu sei mas é a única forma de descrever o personagem e o grau da sua loucura) que trai a namorada Annie causando assim a ruptura do relacionamento que já não andava bem, enquanto no meio disso tudo, Tucker, o ídolo pop aposentado e misantropo de Duncan, relança uma versão sem tratamento de seu álbum de maior sucesso.
Talvez um pouco mais doce e bondoso do que os anteriores, se bem que Hornby sempre foi deveras gentil com seus personagens imperfeitos e seu público tão incerto quanto, Juliet mostra dúvidas e incertezas eternas na vida dessa geração que foi adolescente nos anos 90, ouvindo pop rock inglês e que ainda não tinha O ORÁCULO google.
Vamos combinar que hoje em dia quase tudo se resolve via google. Wikipedia também ajuda. Ok, talvez nada se RESOLVA mas tudo é muito bem analisado e pesquisado de uma forma sem precedentes.
E aí que as opções nem sempre tão são simples, e o azul do céu tão plácido e o acorde tão bem colocado. Mas já estou divagando.
Resumindo, leiam Juliet. E juro que não estou trabalhando para a Editora Rocco.
sábado, 28 de agosto de 2010
RENASCIMENTO 2.0
Ben Shneiderman escreveu um livro sensacional "O Laptop de Leonardo". Só a título de informação como a velocidade da comunicação hoje é instantânea igual a café solúvel, ele deve estar defasado. Tenho um nettop. Será assim que se escreve? Não que eu seja uma expert em informática, a necessidade - ela atende pelo nome trabalho - me obrigou a comprá-lo. Deve ter gente perguntando: não postou por que? Deixei com minha secretária, razão pela qual fiquei incomunicável. O que o livro tem com o assunto? Tudo. O Ben escreve sobre aquilo que os computadores podem fazer... pelos usuários!!!!!!!!!Fico imaginando quando o sonho dele vai se tornar realidade e deixar de ser motivo de frustração para os pobres, sem qualquer parentesco com Da Vinci. Quando essas novas tecnologias vão realmente permitir que os não Leonardos da vida poderão relaxar e apreciar as atividades relacionadas a esse tal de Renascimento 2.0.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Dia da Lua... sorria! Não sei se é verdade mas dizem que essas leis existemNo Tennessee há uma lei que proibe dirigir dormindo…
Em Nova Iorque, a pena para se jogar de um predio é… a morte. (Isso se já não tiver morrido)
Em Atlanta, é proibido amarrar uma girafa a um poste de luz.
Em Seattle, é proibida a entrada de monstros nos limites urbanos.
Em Chicago, é proibido comer num lugar que esteja pegando fogo.
No Alabama, é proibido jogar dominó aos domingos.
Também aos domingos, em Nova York, é proibido passear com um sorvete de casquinha dentro da bolsa.
No Kentucky, a lei manda que as pessoas tomem banho pelo menos uma vez aoano.
No distrito de Columbia, Pensilvânia, é proibido dormir num congelador.
Em uma cidade do Connecticut chamada Devon, é ilegal andar para trás depois do poente. ( Michael Jackson era proibido de fazer show nesta cidade?)
No Texas: quando dois trens chegarem juntos num cruzamento de vias, ambos devem parar completamente e nenhum deve seguir adiante até que o outro tenha ido. (Eita, então o que fazer?)
domingo, 22 de agosto de 2010
Explodiram o Parque Lage
Eu, por absoluta coincidência, estive no Rio de Janeiro no mesmo período em que parte das imagens eram rodadas na cidade maravilhosa e para minha surpresa máxima, estive com três amigos no Parque Lage no dia em que cenas de Sly seriam rodadas no local. O Parque Lage, aquele prédio lindo e sereno estava sendo maquiado para servir de locação ao papa do filme de ação. Ih, rimou!
No filme, que felizmente se passa eu um país imaginário nos poupando do mico, o casarão foi transformado na casa do vilão fantoche e ao final (bom, vamos combinar que isso não pode ser chamado de spoiller mas quem não quiser saber que pare de ler agora), voa pelos ares!
O filme? Ah, está fazendo um sucesso avassalador e bateu Julia Roberts nas bilheterias americanas e reúne em pouco menos de duas horas todos os astros de ação que eu conseguia lembrar (com exceção do bizarro/delícia Vin Diesel) e tem UMA piada engraçada.
Na foto, eu e Lívia na piscina do Casarao e o espaço já sendo ocupado por câmeras...
sábado, 21 de agosto de 2010
Honoráveis Bandidos
Palmério Dória é jornalista investigativo e escreveu diversos livros dentre eles Honoráveis Bandidos, que dá titulo a essa crônica. Trata-se de uma biografia não autorizada da família Sarney. São anos e mais anos de história do Brasil. Se fosse a Ana Carolina, a cantora, ela diria desde Cabral. É parece que o país não prospera por conta de uma classe política corrupta dominando do Acre ao Rio Grande do Sul. Dória é um sujeito corajoso ao contar os fatos, citar datas, dar nomes aos bois e as boiadas. Só faltam números de telefones, pois as pessoas citadas são nossas velhas conhecidas. Haja estomago para ler sobre as atividades do senador em sua vida pública.
Mas, a bem da verdade esses escândalos seguem a família do presidente do senado desde a década de 80, quando seus filhos e netos foram acusados por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro além das fraudes na licitação da ferrovia Norte-Sul.
As novas revelações não surpreenderam, mas colocaram o senador José Sarney novamente no olho do furacão e o livro não deixa pedra sobre pedra. Pena, o povo ser desestimulado a ler senão o autor do livro estaria milionário, tal e qual o Dan Brown. A diferença é que um escreve ficção e outro fala da realidade, da pobre realidade de um estado mais pobre ainda...
As falcatruas estão tomando proporções enormes e novos fatos são descobertos diariamente. As desculpas são pífias. Mas, como diz o refrão popular tudo na vida tem volta. Terá o céu se transformado em inferno na vida da honorável família?
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Cuidei de meu neto e quase esqueci de postar... Em todo caso, ainda não é meia noite e meu compromisso está sendo honrado.
Observou o carro com insulfilme escuro.
Sentia-se fraco mas procurava se esconder indo de um ponto ao próximo objetivo como vira tantas vezes em filmes de guerra.
Ao longe uma grade retorcida, devia ser o portão. Caminhou célere em sua direção. Acabara de vencer o último espaço sempre se escondendo atrás de árvores e lápides quando viu o automóvel preto chegar. O homem que saiu dele voltou-se para seu lado e disse:
- O que pretende? Ninguém sai daqui antes de falar comigo.
Manteve-se quieto, afinal o homem poderia não estar falando com ele mas, em seguida, perdeu a ilusão pois o homem falou mais alto:
- Josué, venha cá. De nada adianta ficar aí encolhido. Enfrente a realidade, chegou sua hora.
Hora do quê? Tremia a ponto de ouvir seus dentes batendo e sentia um medo danado mas, sem dúvida, o sujeito queria falar com ele. Levaria um tiro logo que saísse de trás de sua proteção? Quantas pessoas mais haveria no carro? Deveria tentar fugir?
- Nem pense em fugir, Josué. Não há escapatória.
- O que eu fiz? Onde estou? Quem são vocês? Por que devo falar com você antes de sair daqui? Que lugar é este?
- Eu faço as perguntas – disse o homem - você responde. Começo inquirindo: por que saiu de lá?
- Saí de onde? Se você está falando daquele buraco onde me trancaram, a pergunta não tem cabimento... qualquer um tentaria escapar.
- Na sua situação todos têm que ficar lá.
O homem parecia de poucas palavras e havia tal autoridade e solenidade na forma como se expressava que sentiu-se constrangido de falar mais, de insistir na pergunta. Instintivamente baixou a cabeça como se alguma força a empurrasse para a frente. A parte de trás do pescoço tinha a pele muito esticada, fechou os olhos e por sua mente passaram, com a rapidez de um raio, milhares de cenas de sua vida. Agora lembrava de tudo!
- Entendeu por que? perguntou o juiz. Agora o identificava como tal.
- Estou morto? É isto a morte?
- Não, isto é um presente, uma degustação da vida eterna... Pouquíssimos o recebem.
- ...mas estou vivo ou morto? Que raio de presente mais assustador é este? Você é Deus?
Pela primeira vez assomou um sorriso à face séria do homem.- Isto é uma degustação. Aprecie, não pergunte.
Observou o carro com insulfilme escuro.
Sentia-se fraco mas procurava se esconder indo de um ponto ao próximo objetivo como vira tantas vezes em filmes de guerra.
Ao longe uma grade retorcida, devia ser o portão. Caminhou célere em sua direção. Acabara de vencer o último espaço sempre se escondendo atrás de árvores e lápides quando viu o automóvel preto chegar. O homem que saiu dele voltou-se para seu lado e disse:
- O que pretende? Ninguém sai daqui antes de falar comigo.
Manteve-se quieto, afinal o homem poderia não estar falando com ele mas, em seguida, perdeu a ilusão pois o homem falou mais alto:
- Josué, venha cá. De nada adianta ficar aí encolhido. Enfrente a realidade, chegou sua hora.
Hora do quê? Tremia a ponto de ouvir seus dentes batendo e sentia um medo danado mas, sem dúvida, o sujeito queria falar com ele. Levaria um tiro logo que saísse de trás de sua proteção? Quantas pessoas mais haveria no carro? Deveria tentar fugir?
- Nem pense em fugir, Josué. Não há escapatória.
- O que eu fiz? Onde estou? Quem são vocês? Por que devo falar com você antes de sair daqui? Que lugar é este?
- Eu faço as perguntas – disse o homem - você responde. Começo inquirindo: por que saiu de lá?
- Saí de onde? Se você está falando daquele buraco onde me trancaram, a pergunta não tem cabimento... qualquer um tentaria escapar.
- Na sua situação todos têm que ficar lá.
O homem parecia de poucas palavras e havia tal autoridade e solenidade na forma como se expressava que sentiu-se constrangido de falar mais, de insistir na pergunta. Instintivamente baixou a cabeça como se alguma força a empurrasse para a frente. A parte de trás do pescoço tinha a pele muito esticada, fechou os olhos e por sua mente passaram, com a rapidez de um raio, milhares de cenas de sua vida. Agora lembrava de tudo!
- Entendeu por que? perguntou o juiz. Agora o identificava como tal.
- Estou morto? É isto a morte?
- Não, isto é um presente, uma degustação da vida eterna... Pouquíssimos o recebem.
- ...mas estou vivo ou morto? Que raio de presente mais assustador é este? Você é Deus?
Pela primeira vez assomou um sorriso à face séria do homem.- Isto é uma degustação. Aprecie, não pergunte.
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