sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

MAIS VÉIO DO CCZ



Existe em Bauru o “Jornal da Cidade” que publica todas as segundas-feiras sob o título REDACÃO –  VIDA DE CÃO E GATO, uma coluna de uma página no seu jornal de segunda-feira, fotos e textos de animais achados ou perdidos, bem como uma coluna de oferecimento de animais para doação. Essa coluna tem uma chamada com os seguintes termos: “Mande a foto de seu cão perdido ou anima para doação para o e-mail segundafeira@jcnet.com.br”.  Esclareço duas coisas: 1ª) outros animais, eventualmente perdidos, também foram oferecidos nessa coluna: 2ª) eu gosto muito dela e não perco a oportunidade de consultá-la sempre.
            Numa segunda-feira de janeiro deste ano o Jornal da Cidade publicou a história do cachorro SRD mais antigo esperando doação em uma ONG: três anos. Seu nome é Véio. A publicação sensibilizou uma família que tem 2 outros cachorros e daí foi feita uma reportagem envolvendo o doado e os doadores.
            Isso me fez relembrar de outras histórias envolvendo as artimanhas de animais de meus amigos, pois não posso tê-los pois moro num apartamento muito pequeno.
            Desses amigos, um me contou que sua filha arrumou um filhote de gato amarelo todesquini que passou a morar em seu condomínio. Esse gatinho, ainda não enraizado na moradia, fugiu durante a noite e perdeu-se no seu condomínio.  A procura durou uma semana e ela fez um apelo por escrito para todos os moradores, distribuindo-o de casa em casa. Já sem esperança de encontrá-lo, uma senhora moradora ligou para a casa dela e falou que havia achado o gato num bosque próximo de sua residência e que poderia ser o seu. E era. Foi a maior festa...
            Outro amigo disse-me de que tinha um cachorro que vivia fugindo de sua casa quando abria o portão, mas voltava. Um dia não voltou e ele passou a procurá-lo. Andou parte do bairro e viu uma casa em construção. Nela estava sendo feita uma piscina e quando começou a andar pelo imóvel inacabado ouviu o uivo peculiar de seu cachorro SRD. Era o próprio que, ousadamente, havia se atirado na piscina sem água e pela altura da mesma não conseguia dela sair. Para esse amigo foi a maior festa.
            Fico feliz de ouvir essas histórias sobre os animais e quem sabe, um dia, possa mudar para uma casa com quintal e adquirir alguns espécimes.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Leu a mensagem mais duas vezes tentando descobrir algo nas entrelinhas. Não podia acreditar que
tivesse caído ridiculamente na armação da moça. Desorientada virou todo o conteúdo da sacola sobre a cama: fraldas, chocalho, uma lata de leite em pó, duas mamadeiras e umas trocas de roupa. Nada mais. Jogou a sacola no chão. Não sabia trocar fralda, nunca trocara antes mas o bebê já estava balbuciando há tempo, logo, logo, começaria a chorar. Abriu a fralda sem certeza de estar do lado certo, encontrou um pacotinho de lenços descartáveis perfumados, tirou o macacãozinho e só então descobriu que estava tomando conta de uma linda menina: rechonchuda, rosada, simpática e quietinha.
Sorriu satisfeita ao ver seu feito. Depois de alguma luta o bebê estava cheiroso e de barriguinha cheia. Agora sim... o que fazer? Lembrando da violência dos soldados, e a forma como a haviam abordado, excluiu a possibilidade de entregar essa criança a eles. Eles procuravam alguma coisa, o que seria? Como ela poderia fugir dali com o bebê? Mas ela queria, realmente, ficar com essa criança desconhecida? Quais os efeitos colaterais de sua decisão? Quem era essa pessoinha?

Pelo registro, que a mãe declarara ser falso, Mariana teria quase sete meses. Que teria acontecido nesses meses todos? De quem a mãe estaria fugindo? E o pai? Colocou o bebê, que já dormira novamente, dentro da sacola, deixou uma frestinha aberta e torceu para que não chorasse. Foi tomar o café da manhã. O restaurante estava vazio, exceto por uma senhora de meia idade, numa mesa de canto. Colocou a sacola com cuidado sobre duas cadeiras e ficou atenta. Percebeu que a mulher olhava constantemente para seu lado. Enquanto ficou concentrada esparramando o requeijão sobre a torrada distraiu-se do ambiente e, ao sentir uma sombra ao seu lado percebeu que era a tal senhora.

- Você está com a criança? Fale olhando para baixo, porque eles podem ler seus lábios.

Ela era bem idosa, com a ponta do pano de seda que cobria seus cabelos também escondia a boca. Olhava sorrateiramente para os lados.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Baptista...depois dessa acho que você vai preferir o Roberto!

Como você adora a Finlândia e o romântico Jean Sibelius decidi ouvir as sinfonias compostas por ele. Li que ele gostava de Beethoven e que compôs sete sinfonias em um estilo bastante pessoal, entre elas The Tempest e Tapiola.
Depois disso escreveu pequenas composições, um hino maçônico e permaneceu até o final de sua longa vida bastante ativo intelectualmente falando. A rápida ascensão do romantismo na Europa está inspirada em Hegel. Que mal me pergunte quem é ele? No meu tempo o povo politizado falava num tal de Engels e no tal do Marx. Coisas de estudante cabeça. Não precisa responder.
Li também que o contexto histórico do romantismo foi o século XVIII. Nessa época as narrativas eram chamadas de romance, palavra que vem do latim e significa na língua de Roma. Suponho que seja uma literatura escrita em latim.
Hoje, nós também chamamos de romance a maioria dos textos publicados.
Algumas são biografias, como a que acabei de ler sobre Chanel. Nesse momento começou o culto a natureza, será? E as primeiras histórias, em versos sobre cavaleiros e donzelas. O livro consultado disse que tudo começou na Escócia. Então, não entendo essa sua paixão pela Finlândia e o romantismo de Sibelius... Cá entre nós prefiro o Roberto Carlos.
Bom, reconheço que não existe ainda um 08 de dezembro, data de nascimento do Jean Sibelius, o Dia da Música Filandesa, dedicado ao brasileiro. Mas, todo ano tem um show que ninguém perde, mas afirma categoricamente que não viu no dia 25 de dezembro com o romântico Roberto Carlos.
Você não sabe quem é? Acho que ele vai responder cantando assim: "O cara que pensa em você toda hora/que conta os segundos se você demora/que está todo o tempo querendo te ver/ porque já não sabe ficar sem você/e no meio da noite te chama/pra dizer que te ama/esse cara sou..."
Essa cara também poderia ser eu, a Rosa do Baptista!

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

INTERPRETAÇÃO DO FATO

Narrou Luciano Pires em texto jornalístico, que Judy Walldman (pesquisadora na área de genealogia nos Estados Unidos), durante pesquisa da árvore genealógica de sua família deu de cara com uma informação interessante. Um tio-bisavô, Remus Reid, era ladrão de cavalos e assaltante de trens. No verso da única foto existente de Remus (em que ele aparece ao pé de uma forca, está escrito: “Remus Reid, ladrão de cavalos, mandado para a Prisão Territorial de Montana em 1885, escapou em 1887, assaltou o trem Montana Fleyer por seis vezes. Preso novamente, desta vez pelos agentes da Pinkerton, condenado e enforcado em 1889.” Acontece, prossegue Pires, que o ladrão era ancestral comum de Judy e do senador pelo Estado de Nevada, Harry Reid. Então Judy enviou um e-mail ao senador solicitando informações sobre o parente comum... e a assessoria do senador respondeu desta forma: “Remus Raid foi um famoso cowboy no Território de Montana. Seu império de negócios cresceu a ponto de incluir a aquisição de valiosos ativos equestres, além de um íntimo relacionamento com a Ferrovia de Montana. A partir de 1883 dedicou vários anos de sua vida a serviço do governo, atividade que interrompeu para reiniciar seu relacionamento com a Ferrovia. Em 1887 foi o principal protagonista em uma importante investigação conduzida pela famosa Agência de Detetives Pinkerton. Em 1889 Remus faleceu durante uma importante cerimônia cívica realizada em sua homenagem, quando a plataforma sobre a qual ele estava cedeu.”

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Continuando - 3º

- Não tenho tempo, preciso ir, por favor me ajude.
 
A mulher parecia, mesmo desesperada mas não se pode ser generoso numa hora dessas pois as consequências poderiam ser dramáticas. Colocando uma pashimina na cabeça e ajeitando sua bolsa ao ombro pediu:
 
- Você pode me dar um copo de água?
Só quando ouviu a porta bater compreendeu que fora enganada. A moça usara a artimanha do copo de água para fugir. Ouviu o estrondo de um transformador e a luz apagou. Assustado com o barulho do trovão o bebê se pôs a chorar. E agora? Correr atrás da moça na escuridão e largar o bebê, ou atender ao bebê desejando desesperadamente que a moça volte? Graças à iluminação da rua podia enxergar um pouco. Pegou o bebê no colo. Ele estava enrolado em tantos xales que transpirava, apesar do frio. Só então percebeu que nem sabia se era um menino ou uma menina...
 
Logo o bebê se calou, fora só o susto com o estrondo, mesmo. Largou o corpo na poltrona com as molas tortas, de tecido esgarçado, em que não sentara antes, por nojo, sentia-se sem chão. O que aconteceria agora? Justo quando começava a se sentir livre, independente e parecia estar tomando decisões! Novamente submissa à vontade alheia... e a luz que não voltava... Despertou com as pancadas na porta.
 
- Abra em nome da lei.
- Abra logo!
 
Correu para a porta tendo o cuidado de olhar antes para o bebê que continuava dormindo sossegadamente. O narizinho estava gelado, então jogou a beira do lençol sobre ele.
 
- Pois não, o que houve?
 
- Cale a boca! Quem pergunta somos nós. Onde está a mulher? Sabemos que está aqui.
 
- Não há mulher nenhuma aqui, este quarto é meu.
 
- Ela foi vista entrando aqui. Entrem e examinem o banheiro – disse voltando-se para os dois brutamontes que estavam dois passos atrás.
 
- Por favor, senhor, não há banheiro no quarto, não há nada nem ninguém aqui.
 
- Nada, senhor! Está limpo - disseram os brutamontes ao perceberem que havia só quatro paredes e que não era possível alguém se esconder naquele quadrado.
 
- Voltaremos, não saia da cidade.
 
Bateu a porta com violência e ela, trêmula, não sabia o que pensar. O que estava acontecendo? Era a segunda vez em menos de vinte e quatro horas que ficava sob a mira de arma de fogo e submissa à violência dessa milícia que não tinha certeza se era policial ou não. O que a mãe do bebê aprontara?
 
Tomou um copo de água, espiou o bebê e acabou se enfiando sob as cobertas ao lado dele. Despertou com o bebê balbuciando. Devia estar com fome e molhado. Já eram nove horas. Ao abrir a sacola para pegar a mamadeira levou um susto. Um envelope estava bem à vista. “Caso eu não volte, fique com o bebê. Ele não está registrado, esse documento que está aqui é falso. Para que você fique sossegada ele é meu mesmo, não é roubado nem sequestrado como você poderia pensar. Estou envolvida em mil confusões, talvez você não me veja nunca mais. Melhor não sabermos nossos nomes assim não há risco nenhum. Muito obrigada!”
 
                                                               Continua na próxima semana

Pílulas 8

Antes do Carnaval... vamos lá...

Máscara
Nas últimas horas, fiquei eufórico com as informações relacionadas ao Carnaval. Se há um período do ano que eu amo, este é o do Carnaval. Eu me entrego, eu me jogo, eu carnavalizo. Tenho dito que, neste ano, eu não terei nome e nem sobrenome durante os quatro dias de folia. Comigo, apenas carregarei um "bilhete" com o telefone de minha mãe para ser informada caso alguma aconteça comigo (mas os deus carnavalescos vão proteger a mim e a meus amigos e nada há de acontecer, amém, axé, saravá). Pois bem, começaram a sair as datas de alguns blocos de Carnaval em São Paulo, que, há algum tempo, tenta mostrar às praças mais conhecidas no Carnaval, como Recife, Salvador e Rio de Janeiro, que na capital paulista também há hora para pierrôs e colombinas. Vai ter bloco na rua Augusta, na praça Roosevelt, na esquina da avenida São João com a Ipiranga... em tanto lugar. A busca, a minha, agora, é pela fantasia.. a máscara eu já tenho... E, como escreveu o senhor Caê e cantou Roberta Sá, Gal Costa e tantas outras, deixa sangrar, deixa o Carnaval passar...

Sentadinho no lugarzinho
Domingo, eu tive a sorte e o prazer de assistir ao show da Esperanza Spalding, no Sesc Pinheiros. Show concorridíssimo, diga-se de passagem, como tem sido a maioria dos eventos que tem acontecido nas unidades do Sesc, ao menos de São Paulo. O show foi linda, a Esperanza é linda, Guinga, que a acompanhava, foi de um cavalheirismo exemplar... tanta coisa aquele show. A nota baixa ficou por conta de um barraco protagonizado por um casal que, ao chegar atrasado ao teatro do Sesc Pinheiros, quis reivindicar para si os lugares marcados no ingresso deles. No Sesc, para quem não sabe, existe a máxima de que, depois do terceiro sinal, lugares vagos podem ser ocupados por qualquer pessoa (chega a ser engraçada a movimentação da galera na plateia neste momento). Enfim, permaneci no meu lugarzinho, sentadinho...

Pouco sábado
... para tantos eventos. Cinema, aniversário 1, aniversário 2, show e aniversário 3. No sábado, eu me surpreendi com a minha capacidade de quase me multiplicar. Rolou sessão de cinema do filme "Ninfomaníaca", festa-surpresa do aniversariante que demorou tanto a chegar que eu tive de ir embora antes, celebração de veterana (reencontro de grandes amigos) em um bar na Augusta, show do Jeneci (o primeiro a que eu fui dele... ah, se fosse no teatro em vez da choperia da Liberdade) e mais um aniversário na High Crack (alta cracolândia) hahahahahhaa. Juro, era muito evento para pouco sábado. Eu quase me multipliquei. Mas, o melhor: (re)vi todo o mundo que eu queria... ou quase todo o mundo.

Sexo?
O sexo nem sempre é gostoso, nem sempre é prazeroso... corremos o risco de não sentir nada... Assista "Ninfomaníaca" e me diga o quanto gozou ou não...

Casal...
e a segunda temporada de "Do Amor" acabou... mas eu quero mais... muito mais. Amor? Aventura? Lulu e Brás? Lulu e Pio? Lucas e o menino que ele encontrou no táxi? Eva e Lena? Tomás e a louca? Eu quero mais!

é isso!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Não te veria mais

Tem coisas pelas quais me apaixono e passo anos amando. A cantora Rocha foi uma dessas paixões. Vi The Hottest State, com a tradução ridícula para português como Um amor jovem, filme com direção de Ethan Hawke a partir de seu romance Quarta-feira de cinzas e comprei a trilha sonora.
É válido dizer que na época eu ainda comprava cds! A trilha é ótima, até porque no filme a música faz parte da história de uma maneira integrada e não só como fundo musical.
Mas voltando a cantora. No cd algumas faixas são cantadas por Rocha.
Ya no te veria mas e Never see you,uma única música em duas versões  A versão em espanhol é melhor. mais densa e tocante, dolorida enquanto a versão em inglês, mais trabalhada, tem toques mais pop.
Passei anos procurando um cd da dita moça e nada. Nada na internet, nada, nada nada. Até que em 2008, li essa matéria na Rolling Stone e esqueci completamente. Hoje entrei no youtube e lá estava Rosario Ortega na primeira página com várias músicas. Ouvi tudo o que podia. Gostei de algumas, outras menos, mas Yo no te veria mas ainda é minha favorita.
Fica a indicação.
E cada vez mais a certeza de que o Universo se encarrega mesmo de trazer o que a gente procura... mesmo que com um certo tempo.


http://www.youtube.com/watch?v=ZeUqGFDkqqY