Recomeço,
revisão, restauração, renovação... começamos de novo. Os rumos foram mudando e um dia a
Janaína comunicou estar parando. Rosa Bertoldi e eu pensamos em mantê-lo mas
faltou-nos alguma coisa e paramos também. Outro momento histórico, novos
sonhos e projetos, um ano sabático bem vivido e cá estamos novamente.
Quando era moça queria casar (como todas as moças de então, isso não é novidade)
Quando casei queria engravidar (como todas as moças de então, isso não é novidade)
Quando tive filhos, de vez em quando, queria que eles sumissem e me deixassem quieta.
Quando eles ficavam quietos eu ia cutucar, para ver se não estavam doentes.
Quando estavam doentes eu ficava junto o tempo todo, e rezava, e cantava, e brincava para alegrá-los.
Quando estavam muito alegres e barulhentos eu queria que se aquietassem e prometia prêmios para o mais quietinho.
Quando dava presentes queria que me agradassem e agradecessem.
Quando me agradeciam e agradavam eu ficava feliz e pensava: sou uma boa mãe (nunca tive certeza disso).
Quando não tenho certeza das coisas gosto de fazer terapia.
Quando faço terapia falo tudo... e choro.... e falo mais.... e choro.
Quando choro meus olhos ficam bem verdes, mas o nariz fica vermelho e a maquiagem borra, mas os olhos ficam lindos.
Quando meus olhos ficam lindos eu me sinto sedutora.
Quando me sinto sedutora esqueço que já cresci e já vivi bastante...
Quando penso que já vivi bastante lembro de quando eu era pequena e queria crescer.