domingo, 7 de agosto de 2011

Vergonha alheia

Imagine um filme com orçamento inicial de R$ 6.5 milhões (não achei dados sobre o número real fechado), um elenco com Lima Duarte, Giulia Gam, Eriberto Leão, Hermila Guedes, Tonico Pereira, Gero Camilo, Vinícius de Oliveira, Heitor Martinez Mello e Milhem Cortaz, um diretor de mercado conhecido por seu profissionalismo, um roteirista experiente e autor de um dos filmes de maior bilheteria do país. Imagine! Isso é Assalto ao Banco Central e é um fato inegável. No entanto o resultado... Impressionante como uma superprodução baseada em uma história que parece ter sido feita por Hollywood, o maior roubo, de R$ 164 milhões, realizado em Fortaleza, sem uso de nenhuma violência e ainda não completamente resolvido.
Após pouco mais de dez minutos sentada na cadeira, o que impressiona é o quanto Daniel Filho e Renê Belmonte erraram. Nada funciona, grandes atores soltam frases pessimamente acabadas seguidas de outras pouco críveis transformando-se em grandes canastrões dignos de vergonha alheia. A direção de fotografia não existe, tudo se passa em cenários óbvios e horrorosos, a continuidade deixa a desejar e a linha narrativa se perde várias vezes deixando lacunas de conteúdo para a compreenção da história. Afinal, quem são todos aqueles personagens? A única coisa que por horas funciona é a trilha sonora bem realizada por André Moraes e Chris Pittman (da banda Guns 'N" Roses) e mesmo essa não empolga ao ponto de virar produto de consumo como aconteceu com a de Cidade de Deus.
A sensação após apenas uma hora de filme (e ele tem intermináveis 104 minutos) é a de que apagar a luz do projetor seria a melhor solução para a melhora do filme.
Sim, é fato, Daniel Filho nunca havia dirigido para cinema mas então que idéia de girico dar este projeto a ele?
A esperança? Já que Hollywood adora um remake, alguém bem que podia refilmar e transformar essa atrocidade em um filme digno de história tão interessante.



O site vale uma visintinha só pela ironia da coisa como por exemplo:
"222 Latas filmadas
57 Atores
366 Figurantes
20 Dublês de ação
10 Diretores de ação
84 cenários e locações
396 horas trabalhadas por pessoa
362.060 Km rodados
2.805 km aéreos rodados
30 veículos utilizados"
E aí fica a pergunta: por que mesmo?

sábado, 6 de agosto de 2011

Arquitetura colorida

Os leitores não acostumados com história antiga ou teorias malucas precisam saber da existência de uma crença, não comprovada, que os americanos são descendentes dos povos caldeus e egípcios e atravessaram o estreito de Bering - liga América do Norte/Ásia - para se instalarem no novo mundo. Verdade ou não, a arquitetura mexicana possui características de ambas.
Primeiro o homem inventou a mão! A partir daí seus utensílios, com técnica e estética. Os monumentos arquitetônicos são exemplos da criatividade humana desde os primórdios da civilização. Arquitetura vem do grego archos (primeiro) e tekton (pedreiro). Em latim o termo era magister operis, traduzindo pode-se dizer que seria o mestre de obras ou arquiteto. A arquitetura nasceu como ciência, indústria e arte na Mesopotâmia. As construções eram de alvenaria, sem fundações, com escadarias, rampas, paredes aparelhadas na vertical, colunas, ausência de janelas no primeiro pavimento, pátios internos. Arcos e abóbada são as características mais fortes desses edifícios e estão presentes no México, somente na arquitetura dos maias. Eles são abundantes também na arte romana (Coliseu) e românica (catedrais da Idade Média). Hoje nos edifícios novos ou reformados, classificados de pós-modernos, como o shopping Iguatemi/São Paulo ou a Rua Batista de Carvalho, em Bauru.
Além dos palácios e templos, a pirâmide truncada, conhecida como zigurat compõem as ruínas mexicanas. Na Mesopotâmia ela era composta de sete andares e cada um tinha o nome e a cor de um planeta. De baixo para cima: Saturno/negro; Vênus/branco; Júpiter/púrpura; Mercúrio/azul; Marte/vermelho; Lua/prata e Sol/ouro. No último andar estava o observatório astrológico. Quanta cor! E repare leitor que embora a modernidade se vanglorie de suas descobertas, eles conheciam praticamente todos os planetas. Progressão ou regressão? A astrologia e astronomia nasceram aí. A título de curiosidade, nessa região ficavam os famosos jardins suspensos da Babilônia e daí saiu também um dos primeiros textos escrito há mais de 6.000 anos: Gilgamesh, rei de Uruk, obra mais difundida por volta de 2.340 a. C.
Embora, alguns historiadores afirmem que a civilização egípcia foi a mais avançada da antiguidade, a Mesopotâmia chegou à escrita 200 anos antes dela, além de ter criado o primeiro sistema bancário. Isso bem antes dos templários!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Mãe é mãe

Homenagem a todas as mães do mundo... de todas as espécies!



quinta-feira, 4 de agosto de 2011

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

terça-feira, 2 de agosto de 2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Mistério à beiramar V

* Sorry... semana passada escrevi Beira Mar... um lapso.

Baptista, como se não tivesse ouvido minha intervenção continuou sem sequer nos olhar.
-...Je meurs à l'instant mon amour
Je ne serai plus là à ton réveil
Mon destin s'accomplit - Déjà
Le rêve s'assombrit à l'exemple
Du ciel à la tombée du jour, déjà
L'aigle de feu disparaît au loin
Seul sans toi au bout du monde.
Azevedo e eu nos olhamos, cúmplices. Mantivemos o silêncio respeitando aquelas dolorosas lembranças. O poente vermelho fez com que olhássemos as nuvens que filtravam a despedida daquele dia.
- Desculpem-me! Por instantes deixei-me levar por pensamentos dolorosos que tenho alojados no fundo da alma e dos quais não consigo livrar-me.
- Caro amigo, companheiro, que magnífica oportunidade para falar... de nada adianta alojarmos tristes memórias no fundo d´alma, importante é livrarmo-nos delas, aproveitarmos com humor os dias que ainda temos à frente.
Senti que precisava dizer alguma coisa mas nada me ocorreu. Não entendi muito bem o poema mas percebi que falava em solidão. Pobre homem! Três filhos, ser um estrangeiro em sua própria terra já que viveu tantos anos fora, certamente deve ter se afastado dos amigos e com tantas mudanças de telefones é impossível encontrar alguém a não ser usando recursos modernos. E se eu lhe falasse do Facebook? Em seguida me censurei: cala a boca, a conversa está num nível tão elevado e você quer estragar tudo?
- Inkeri se enforcou e eu me sinto culpado, não deveria tê-la deixado só.
Os soluços vieram antes do final da frase.
- Depressões – disse Azevedo. Com o desaparecimento das figuras do médico de família e do padre que visitava seus paroquianos tudo se agravou... O médico de família conhecia as mazelas de todos e diagnosticava com facilidade embora os remédios fossem limitados. O padre confessor sabia das preocupações e dores de cada um... Para que psicólogos, psicanalistas e psiquiatras? Desculpem, as depressões me indignam!

Baptista acalmara-se um pouco. Chegáramos ao hotel e nos sentamos no lounge. Um pianista tocava uma música que imediatamente identifiquei: I cried for you, pois adoro Billie Holiday, então eu cantei baixinho, apertando a mão de Baptista:
And when you went
I became a hopeless drifter
But this life was not for you
Though I learned from you
That beauty need only be a whisper

I'll cross the sea for a different world
With your treasure, a secret for me to hold
………………………………
Ambos sorriram e eu, empolgada, continuei. Ouvimos e cantei mais duas ou três músicas e ao final recebi aplausos carinhosos.
- Inkeri e eu gostávamos muito de Billie. Todos têm livros de cabeceira, tínhamos discos. Ouvíamos à noite, deitados, de mãos dadas. Sinto muita falta dela mas, enfim, nada há que se possa fazer. Obrigado pelos ouvidos - Sorriu mais relaxado – ocupei-os com minha tristeza. Falem-me de vocês.
- Diga-nos, Júlia, mais alguma coisa sobre você. É tão nova, ainda, e conhece músicas antigas de cor, que história é essa?
- Quando mocinha fiz intercâmbio. Passei um ano nos Estados Unidos. Meu pai, de lá, adorava a Billie. Como veem, não é tão misterioso assim.