- Não olhe,... não olhe!!!!!!! Fechei os olhos. O que ele estaria escondendo? - Agora olhe e me diga... Ó céus, o que está diferente? Não vejo nada mudado, nem nele nem na sala. Que terá feito que o levou a imaginar que este suspense me divertiria? Tenho medo de perguntar e também de afirmar que não vejo nada novo. O que devo dizer? - E então? Meu anjo da guarda, meu bom amiguinho, me faça andar sempre pelo bom caminho... O que falar ou fazer para não decepcioná-lo? - Putz, como você teve essa ideia? - A gente já havia pensado nisso, lembra? - Quando falamos sobre isso? - Quando paramos para tomar sorvete,lembra? - Não, não lembro de termos conversado. Como surgiu o assunto? - Precisava desesperadamente de uma pista. - A Solange disse que havia conseguido inquilino para o apartamento e você, então comentou. - Ah!..... (que será que comentei? Droga! Essa minha memória anda aprontando...) - Mas, fale, você gostou? - Como poderia não ter gostado? - É que eu mudei um pouquinho o projeto inicial, lembra? Falamos em usar dois mas eu usei quatro, achei que ficaria bom. - E ficou, mesmo. - Fiquei preocupado com sua reação. - Você fez bem. - Vamos sair, para comemorar? - Claro! Deixa só eu trocar de sapato. Meus pés estão moídos. - Onde você vai? Tem que acostumar que agora ela vai ficar aqui. Vi a sapateira escondida entre os dois braços dos sofás. Ah... foi isso... Sorri, tímida. - É duro ser loira, somos distraídas. Ele sorriu e me abraçou carinhosamente. Nunca diria a ele que estava horrível.
PS- Desculpem a ausência na segunda passada e antecipadamente peço desculpas pela próxima segunda. Em dezembro já estarei nos trilhos, novamente.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
"Me gusta la mañana, me gustas tú
Me gusta el viento, me gustas tú
Me gusta soñar, me gustas tú
Me gusta la mar, me gustas tú."
Sofia Coppola está prestes
a completar 40 anos, mas continuamos tratando-a como adolescente.
Como se seus filmes -e ela já fez quatro- não fossem frutos de seu
talento, sua sensibilidade ou sua inteligência, mas promessas de uma
obra futura em que se revelará a verdade por inteiro.
Por quê? Pelo carma
de ser filha de Francis Ford Coppola? Ou porque continuamos a
enxergá-la como a muito jovem Mary Corleone de O Poderoso Chefão - Parte 3?
Nessa estranha ilusão óptica que geram os filmes de Coppola, há algo
que não se deixa explicar pelos avatares biográficos da diretora nem
pela poluição midiática que contamina sua estirpe. Algo que está
relacionado aos próprios filmes. Como se esse erro de paralaxe fosse um
dos elementos internos decisivos, inclusive o segredo que os faz
existir e os define.
Já se disse muito que o tema do cinema de Coppola é a celebridade. As irmãs Lisbon, de As Virgens Suicidas (1999), são estrelas da disfuncionalidade familiar, assim como Maria Antonieta (2006) o é no mercado da mundanidade monárquica.
Nem há o que dizer sobre Bob Harris, de Encontros e Desencontros (2003), inspirado nessa "bête noire" do "star system" de Hollywood que foi Orson Welles.
IMPASSIBILIDADE
O protagonista de Um Lugar Qualquer também é um desses seres
marcados pela hipervisibilidade. Ator de Hollywood, Johnny Marco é
apático como Harris, inocente como Maria Antonieta e autoabsorto como
as meninas Lisbon.
Coppola descreve a vida de Marco com a mesma impassibilidade, a mesma
falta de ênfase e hierarquias dramáticas com que filmou a via crucis
de Bob Harris pelo labirinto ilegível de Tóquio.
Tudo indica que Johnny Marco é famoso, mas o que Sofia Coppola omite é
o porquê. Marco não é especialmente bonito, simpático ou brilhante.
Ignoramos tudo sobre sua carreira e sua habilidade como ator.
A única coisa que nos é mostrada é um cartaz de seu último filme e uma
entrevista coletiva que Marco resolve com monossílabos. Mas ele
tampouco é especialmente idiota, extravagante ou rebelde. Digamos de
uma vez: Johnny Marco não é nada.
Como pode, portanto, ser uma celebridade? Aqui está a descoberta mais sutil, mais "warholiana" de Um Lugar Qualquer: a ideia de que a fama, em sua versão contemporânea, é um enigma.
Não é o resultado lógico e progressivo de um trabalho, uma carreira,
um conjunto de qualidades pessoais, mas uma mais-valia mágica,
invisível, que nunca procede daquele que a ostenta, mas do exterior,
dos outros, daqueles outros em que Sartre costumava localizar o inferno.
Assim, Marco é apenas o herói menor, subsidiário, do filme de Coppola.
Os verdadeiros heróis são outros: camareiros, assessores de imprensa,
comissários de bordo, strippers, toda essa pequena legião de artistas
conceituais camuflados que fazem desse nada que é Johnny Marco uma
celebridade.
Desse nada, ou desse adolescente eterno que ele é, porque o que é a
adolescência senão esse grande momento no qual -para o bem ou para o
mal- somos o que os outros decidem?
Não é, portanto, o tema da celebridade o que distingue o cinema de
Sofia Coppola. É sua hipótese -corroborada por ela mesma, congelada na
condição adolescente de ser uma promessa eterna- de que celebridade e
adolescência são experiências gêmeas e que, para ser célebre, não é
preciso ser ou fazer nada: só deixar-se fazer pelos outros.
ALAN PAULS, escritor argentino, é autor de "O Passado" (Cosac Naify), entre outros. Tradução de CLARA ALLAIN.
1 aos 5 anos:
A mulher não tem a mínima idéia do que ela seja.
5 aos 10 anos:
Sabe que é diferente dos meninos, mas não entende porquê.
10 aos 15 anos:
Sabe exatamente por que é diferente, e começa a tirar proveito disso.
25 aos 30 anos:
Nessa fase formam 5 grupos distintos:
G1
As que casaram por dinheiro
G2
As que casaram por amor
G3
As que não casaram
G4
As que simplesmente casaram
G5
As inteligentes
G1: descobrem que dinheiro não é tudo na vida, sentem falta de uma paixão..
G2: descobrem que paixão não é tudo na vida, sentem falta do dinheiro.
G3: não importa o dinheiro e a paixão, sentem falta mesmo é de um homem .
G4: não entendem por que casaram.
G5: descobrem que ter inteligência não é tudo na vida.
30 aos 35 anos:
Sabe exatamente onde errou e tinge o cabelo de loiro. Vai para academia.
35 aos 40 anos:
Procura ajuda espiritual.
40 aos 45 anos:
Abandona a ajuda espiritual e procura ajuda médica, com analistas e cirurgiões
plásticos.
45 aos 50 anos:
Graças aos cirurgiões suas nádegas e barriga voltaram ao normal, seus seios
ficaram melhores do que eram e explode uma paixão pelo seu analista.
Após os 50 anos
FINALMENTE SE DESCOBRE, SE ACEITA E COMEÇA A VIVER !!!!
...Mas, aí vêm a osteoporose e o reumatismo e lasca tudo.
Ler biografias nem sempre geram bom resultados. Sou amante da obra de Jane Austen e qualquer pessoa que me conheça sabe disso. Li todos os livros, vi boa parte das adaptações para o cinema e finalmente, em minha última viagem, comprei empolgadíssima duas biografias da autora.
Estou na página 176 de 347 da primeira delas e relutando cada vez mais em virar a página. Algo me diz que não lerei a segunda. E por quê? Porque incrivelmente, ou não, a imagem e fantasias que tinha relacionados a Jane, criados e nutridos a revirar de páginas sobre Lizzy e Darcy, não condizem muito com a realidade da vida da autora.
E para piorar em dado momento assisti Amor e inocência (Becoming Jane), que se vende como retrato de um momento na vida de Jane e vamos combinar que não condiz com o que tenho lido na última semana.
Só para exemplificar, o filme trata de seu avassalador romance com o jovem irlandês Tom Lefroy, que nos meus sonhos foi o Mr Dancy de Jane, e no livro não é nada disso. Sim, a jovem então aspirante a escritora conhece Tom Lefroy em 1795, algo por volta da página 114 e ao todo encontra o rapaz umas três vezes em eventos sociais e nunca mais volta a vê-lo já na página 121. E o encontro na floresta? A fuga para o casamento? O amor infinito e imortal? A filha com outra nomeada a partir de sua amada? Nada disso foi verdade?
A passagem de Tom Lefroy na vida de Jane Austen se resume a sete páginas e algumas poucas cartas trocadas com a irmã Cassandra. Somente.
Basicamente o livro tem acabado com todo e qualquer sonho romântico dessa que vos escreve, mas ouso dizer que isso tudo vem a calhar e de certa forma cabe bem na minha situação atual. Outro dia estava com duas amigas queridas em um barzinho quando meu celular anunciou a chegada de um torpedo. Dizia algo assim: "Amor, estou morrendo de saudade". Li e apaguei. Minhas amigas, curiossissimas, queriam saber quem era. Era engano, é claro, afinal não tenho ninguém na vida nesse momento que me mandasse um torpedo desse teor. Triste? Admito que sim.
Então ler que na verdade Jane Austen não viveu um grande amor, não teve um encontro incrível na floresta e nunca encontrou seu Darcy mas mesmo assim criou um para sua Lizzy, me faz ver que a vida é assim mesmo.
E que os roteiristas americanos tem muita (mas muita) imaginação.
Não me parece natural viver o reinado absoluto do audiovisual. Isso exclui os outros sentidos e o organismo deve se sentir frustrado, por isso todo mundo come no cinema ou assistindo televisão. Quer dizer, eu como vendo tv e quando vou ao cinema. Falando nisso, bons tempos, quando se podia cantar a canção de um sujeito e ele ficava feliz, hoje os direitos autorais estão aí querendo comer o fígado de quem faz isso, ainda bem que só canto no banheiro! Outra atitude mal usada é o tal do politicamente correto, que serve somente para alguns interesses. Mas, vou falar do áudio, outros assuntos devem aguardar, quietinhos, sua vez. Os seres humanos passaram a viver na trepidante vida urbana longe do vasto jardim botânico onde se desenrolava a história cultural da humanidade ao ritmo das quatro estações do ano. Trocou-se o campo pela cidade. O despertador tomou o lugar do canto do galo. O ruído das fábricas substituiu o barulhinho do vento, da chuva, do canto dos pássaros. O volume de ruídos aumentou muito desde o inicio do século XX e os habitantes do planeta precisam encontrar um meio de dominar esses barulhos se desejam encontrar certo equilíbrio. Existe tempo para tudo, momento de falar, de escutar, de silenciar, momento até de “ouvir” os fortes ruídos, como em um festival de rock, sem nenhum barulho tentando dominar os demais. A poluição sonora é um problema mundial, mas os jovens de hoje, quase surdos, deveriam meditar sobre o que acontece ao um público silencioso e imobilizado em concertos de música clássica, atento as misteriosas vibrações do ambiente. Alguém pode retrucar: e as estridências orquestrais de Schönberg, as obras de Xenakis, os efeitos de Ligeti e as explosões vocais dos membros da escola polonesa de Lutoslawski? A resposta é contemporaneidade... Penso nisso parada em um semáforo ouvindo a voz macia de João Gilberto e lembrando a frase de Caetano “melhor do que o silêncio, só João” enquanto meu vizinho de lado escuta? música a todo volume e nem consigo descobrir o significado do ruído. Surdo, talvez sim, talvez não, porém jovem candidato a surdez. O barulho ressoa através de um radio ou walkman, uma espécie de hemorragia musical, transbordando do carro vizinho, enquanto o sinal não fica verde para eu passar e voltar ao volume baixo, a quase mudez do velho baiano. Fico me perguntando como o moço dos auto falantes nos ouvidos com aquele volume pode prestar atenção em alguma coisa que não seja o próprio barulho! Se os mais jovens não forem conscientizados no controle dessa onda sonora a população mundial vai ficar surda. O lado bom disso é que o planeta ficará mais tranqüilo, deveria dizer mais silencioso