quinta-feira, 9 de outubro de 2008

almas

antes de se conhecerem, eram duas almas pálidas, gelo nos lábios, coração em ritmo de cotidiano.
coube ao destino a missão de colocá-las frente a frente. a paixão fez o resto.
deu cor a cada uma. trouxe calor, desejo, tesão.
o coração quase parou mediante esforço físico de suas batidas em ritmo de fazer inveja a maratonista campeão mundial.
com o encontro, descobriram que não eram completas, e sim complementares.
se misturaram uma na outra, encontrando, em cada pequeno movimento, mais um grande motivo para amar.
vestiram-se de alegria, calçaram os sonhos, perfumaram-se com a esperança. de longe, exalavam bem-querer.
agora, o tempo e a culpa, que nunca se entenderam, mas que continuam juntos por capricho volátil e desnecessário, decidiram que as duas almas precisam se separar.
no início, elas acreditaram que isso não seria empecilho. que o amor era força-mor, movia montanhas com mais facilidade do que as passagens da bíblia.
mas descobriram que ele, o amor, é só o ingrediente mágico. para realizar a magia, era preciso mais.
não sabe onde erraram. perderam-se. não encontram mais o caminho uma da outra. não sabem como consertar. aliás, sozinhas com suas mágoas, não sabem mais nada.
só descobriram que nem almas voltaram a ser.
separadas e após conhecerem a dor, foram rebaixadas de nível, como castigo divino por não lutarem pelo que poderiam ser.
agora, são apenas humanos.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Punição semelhante ao crime...

Vocês não têm obrigação de conhecer Baudrillard. Trata-se de um autor difícil e pessimista em relação às questões do mundo contemporâneo. Em sua opinião o terrorismo é uma nova forma de violência nascida paradoxalmente de uma sociedade permissiva e pacificada. Calma pessoal, eu não vou falar no dia 11 de setembro. Quero discorrer sobre uma sociedade de normas e não de leis. Esse pensamento está baseado nas idéias do citado Baudrillard e é válido para os fatos do nosso cotidiano. Como leio jornais todo santo dia, ele não me sai do pensamento. Em vez de pessimista deveria dizer que é realista? Crime e assassinato são as palavras mais vistas nos noticiários.
Assassino é uma palavra tão velha quanto o homem. Estão aí os relatos bíblicos para confirmar. Caim matou Abel e Judite assassinou Honofernes, general do exército assírio, no reinado de Nabucodonosor. Do ponto de vista feminino, nossa heroína estava coberta de razão, afinal tinha sido violentada pelo estrangeiro. Na tradição judaica o ocorrido ficou apócrifo. Mesmo assim o ideal desse homicídio inspirou os sicários, grupo político surgido quando Jerusalém estava caindo nas mãos romanas de Tito.
Na iconografia católica Judith foi musa inspiradora de diversos pintores, dentre eles, um dos meus prediletos: Gustav Klimt.
Mas, não só os cristãos e judeus têm fatos violentos para contar. Assassinatos eram comuns, também, na história política islâmica. Não por acaso, a conhecida Lei de Talião apareceu no Código de Hamurabi. Trata-se de um conjunto de normas reguladoras da sociedade mesopotâmica. Um texto estabelecendo a pena conforme a intensidade do delito, ou seja, para tal crime igual castigo. Penso que nossos legisladores desconhecem a história e a religião. O capítulo 21, do Exodus, no Antigo Testamento prescreve: se houver dano grave, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, queimadura por queimadura... Em Roma, quando as leis foram sintetizadas nas doze tábuas, a sétima dizia: se alguém ferir a outrem, sofrerá a pena de Talião. Bárbaro? Melhor perguntar para os habitantes da Arábia Saudita, Iêmen e outros países do Oriente Médio onde ladrões têm as mãos cortadas. E cá entre nós barbaridade é o que a sociedade brasileira está presenciando. Citando um único caso, onde estão os assassinos do garoto carioca morto friamente por um bando de selvagens? Provavelmente sob o manto protetor dos direitos humanos. Para eles não seria mais adequada a Sociedade Protetora dos Animais? Não. Agora, eles têm a nova lei 11.464/2007, de autoria do ex-ministro Márcio Thomas Bastos. Ironicamente, foi aprovada logo após a cena de horror com João. De acordo com ela os assassinos do garoto responderão em liberdade provisória pelo crime cometido. Bom, não é? Enquanto esperam, eles podem até planejar outro... Afinal, o assalto não passou de mera banalidade!
Uma grande parte dos habitantes desse país acredita que um pouco mais de rigor não faria mal a ninguém. Garanto que eles não pensam na lei de Talião, embora seja algo para se meditar: olho por olho/dente por dente... Diz o ditado que quem cala consente. Trata-se de um silêncio quase tácito. Vocês perceberam que ninguém está reclamando do bafômetro?
As atuais discussões sobre lei e segurança pessoal caracterizam-se pela urgência de um lado – o da população – e por um cinismo ineficiente do outro, o das autoridades. Durante a Revolução Francesa foi promulgada a Declaração Universal dos Direitos do Homem afirmando que todos os seres humanos têm direito à vida e a segurança pessoal. O brasileiro não possui ainda essa prerrogativa e se depender dos poderes constituídos a gente vai demorar muito para tê-la.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Efeito Jack Daniels

Uma vantagem de ser pobre é que, quando ocorrem crises financeiras, como essa pela qual estamos passando, não se perde dinheiro na bolsa. É claro que haverá perdas a médio e longo prazos, decorrente da redução do crédito e das pressões cambiais e inflacionárias. E por falar em câmbio, lembrei-me daquelas mercadorias trazidas por amigos do exterior. São as responsáveis pela ilusão de que algumas regalias cabem no orçamento. Charutos cubanos, uísque 12 anos e barbeadores de 5 lâminas especiais que custam 10 dólares a unidade. O dólar passou dos 2 reais.

Permitam-me transcrever uma explicação sobre a atual crise financeira, recebida de um amigo.
É suficientemente ilustrativa, permitindo a aqueles que não entendem muito de economia, de subprime ou alavancagem entender como a bolha imobiliária norte-americana pôde causar essa tormenta no mercado financeiro internacional, o efeito Jack Daniels.

“É assim: O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça 'na caderneta' aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito). O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia. Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer. Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu). Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países. Até que alguém descobre que os bêubo da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia sifu.”

domingo, 5 de outubro de 2008

Friends

Contra todo e qualquer bom senso cheguei de mais uma viagem à trabalho, onde além de cansada tive dois dias de febre e gripe, dormi, acordei... e sim, fiz o look e fui ver o Justice no Skol Beats. E quer saber? Foi a melhor coisa que fiz. Com frio, sereno e cerveja na cabeça e talvez nem todos entendam o apelo de ver um show onde dois franceses passam a maior parte do tempo de cabeça abaixada concentradíssimos em suas pickups mas foi um show e tanto. Pulei, dancei, encontrei amigos, perdi amigos na multidão... e voltei para casa para dormir pela manhã renovada e curada da gripe.
Abaixo dois vídeos que não dão idéia do que foi esse show. Mas valem como registro e deixam mais e mais e mais vontade de Justice.





Ah, e esta semana aprendi que inveja realmente é uma merdaaaaaaaaaaaa
E dá-lhe arruda e banho de sal grosso e muito oração a todos.
E prestem muita atenção na programação da Mostra de Artes 2008 do Sesc porque está sensacional.



sábado, 4 de outubro de 2008

Viagem sem Fim...


Perdoem-me, mas não consegui.

Serão completadas 70 horas de vôo em 3 semanas, sem contar tempo de aeroporto nas conexões...
3 continentes em 3 semanas com direito somente a passar em casa para trocar de mala.

O resultado disso já está começando a aparecer: 6 tubos de ensaio de amostras de sangue para análise, uma receita de remédio prá dormir e algo muito peculiar no rosto: a barba está parando de nascer...

Será que vale a pena? Não sei... Não tenho resposta.

Espero tê-la até o final do mês. Se até lá, estiver vivo prá saber qual é...

Saudações,

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Um tempo depois...

Um mês e alguns dias, talvez. Destak. Matérias. Reportagens. Beijo na boca. Vontade de dar beijo na boca. Roubadas. Risadas. Piadas prontas. Piadas feitas. Shows bons. Frio. Calor. Praia. São Sebastião. Shortbus. Ensaio. Ensaio sobre a Cegueira. Quartos. Pintura. Mudança de quarto. Séries de TV. Download. Lost. Perdido. Grey's Anatomy. Choro. George O'Malley. Encontro surreal. Encontro real. Celular. Números trocados. Música eletrônica. Falta de blusa. Saudades. Promessas. Vontade de mudar de emprego. Vontade de ficar no emprego. Muitas horas no trabalho. Orgulho de você. Uma ligação inusitada. Uma conversa estranha. Quem é você? Novidades musicais. Passagem de volta comprada. Buenos Aires em março. Salvador em fevereiro. Micareta. Mônica Salmaso. Canções de amor. Filme francês. Ida ao prédio da Folha. Teste. A Favorita. Vôlei na televisão. Muitos e-mails para responder. Novos contatos profissionais. Crianças. Quarto bagunçado. Fora da Bolha. Dentro da bolha. Vontade de fugir do orkut. Bauru, quem sabe? Correspondências. Cartas. Um (quase) sexo. Meio ambiente. Saudades trucidadas. Planos de viagem. Jornais. Mais jornais. Novas revistas. Vícios. Madrugadas acordado. Falta de sono. Muito sono. 13 horas dormindo. Poucas horas dormindo. Meio. Começo. Um cartão VIP.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

puta

- 100 reais.
ela só falou isso.
- 100 reais.
frase cara.
pegou o dinheiro com ele já na cama dela.
lençóis encardidos. utilizados por outros 100 reais.
talvez menos.
o edredon cor-de-rosa, presente da avó, ficava no armário.
ganhava a cama só depois do fim do expediente.
assim como os cabelos escovados.
tirou os brincos, o piercing do lábio inferior, o pudor que um dia pintou na adolescência com cores vivas.
ela se despiu. em menos de um minuto, estava lá, nua.
nua, sim.
estar lá, a confirmar.
envergonhada, mãos a esconder os seios, apagou a luz do abajur da hello kity.
sem-vegonha, mãos no corpo do cara, chupou o cliente.
com culpa, à meia-luz vinda de um corredor quase de morte, ficou por cima.
sem nada a perder, virou-se de quatro.
os olhos fechados. tudo escuro.
silêncio mudo. burro.
ela, ele, aquele vazio preenchido pela necessidade.
15 minutos, tinha terminado.
não gozou. nunca gozava. contra a política da empresa.
virou-se. encontrou o top, no canto do quarto.
lá, chorou.
de lá, mostrou a porta ao cliente.
ele foi. levou um pouco da dignidade dela.
ela ficou. pensando em uma maneira de jogar fora seus pensamentos, cada dia mais violentados.
um a um.
não deu tempo. a porta abriu.
- 100 reais.