quinta-feira, 2 de outubro de 2008

puta

- 100 reais.
ela só falou isso.
- 100 reais.
frase cara.
pegou o dinheiro com ele já na cama dela.
lençóis encardidos. utilizados por outros 100 reais.
talvez menos.
o edredon cor-de-rosa, presente da avó, ficava no armário.
ganhava a cama só depois do fim do expediente.
assim como os cabelos escovados.
tirou os brincos, o piercing do lábio inferior, o pudor que um dia pintou na adolescência com cores vivas.
ela se despiu. em menos de um minuto, estava lá, nua.
nua, sim.
estar lá, a confirmar.
envergonhada, mãos a esconder os seios, apagou a luz do abajur da hello kity.
sem-vegonha, mãos no corpo do cara, chupou o cliente.
com culpa, à meia-luz vinda de um corredor quase de morte, ficou por cima.
sem nada a perder, virou-se de quatro.
os olhos fechados. tudo escuro.
silêncio mudo. burro.
ela, ele, aquele vazio preenchido pela necessidade.
15 minutos, tinha terminado.
não gozou. nunca gozava. contra a política da empresa.
virou-se. encontrou o top, no canto do quarto.
lá, chorou.
de lá, mostrou a porta ao cliente.
ele foi. levou um pouco da dignidade dela.
ela ficou. pensando em uma maneira de jogar fora seus pensamentos, cada dia mais violentados.
um a um.
não deu tempo. a porta abriu.
- 100 reais.

Um comentário:

guru martins disse...

...esse é
um dos lados...

bj